Medidas de economia de energia não contemplam setor produtivo
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quarta-feira, 24 de junho de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
O governo do Estado anunciou ontem alguns programas voltados para a economia de energia elétrica do consumidor residencial. No entanto, não há nenhuma medida nova para o segmento industrial que vem sendo muito penalizado pelos altos custos da energia. A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) divulgou essa semana uma carta aberta ao governador Beto Richa cobrando medidas de alívio para o setor privado. Ontem, o governador não sinalizou com nenhuma ação nova para este segmento, mas disse que vai analisar algumas medidas pontuais que atendam ao apelo do setor produtivo, sem dar detalhes.
O presidente da Copel Distribuição, Vlademir Daleffe, disse que o programa voltado para a indústria já existe há oito anos. A empresa apresenta um projeto de eficiência energética e manda para uma comissão da Copel que faz chamadas públicas a cada seis meses. O projeto pode ser de troca de lâmpadas, de ar condicionado, de motores elétricos ou qualquer outro que contribua para a eficiência energética. O projeto que tiver o melhor retorno em termos de economia acaba recebendo financiamento ou até fundo perdido para desenvolver a ideia. "Não há nada previsto além desta medida para a indústria", disse.
Ontem, para ampliar a angústia do setor produtivo, entrou em vigor o reajuste médio de 15,32% para as 4,3 milhões de unidades consumidoras da Copel. O aumento foi autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Neste ano, o governador disse que não vai diferir nenhuma parte deste aumento, ou seja, o reajuste será aplicado integralmente. "O diferimento já tinha acontecido no ano passado. Temos a necessidade de cobrar agora, até por uma obrigação imposta pela Aneel", afirmou.
Segundo ele, caso ocorresse o diferimento neste ano, isso poderia gerar prejuízos que poderiam comprometer a Copel. O presidente da estatal, Luiz Fernando Vianna, disse que do total dos 15,32% de reajuste, apenas 0,34% são referentes a custos operacionais da Copel. O restante seriam custos com contratos de energia, encargos setoriais e utilização de termelétricas.
Segundo Vianna, o índice de inadimplência entre os consumidores da Copel é de quase 3% e manteve-se estável no último ano, mesmo com os reajustes aplicados nas tarifas nos últimos 12 meses.
As medidas lançadas ontem pelo governo estadual para atenuar os gastos de energia dos consumidores residenciais não trouxeram muitas novidades. Um deles é o Lar Eficiente através do qual o consumidor poderá trocar sua geladeira ou freezer com mais de cinco anos recebendo um desconto de 45%. A compra dos produtos pode ser feita apenas nas Lojas Colombo. Ao receber a geladeira nova, o consumidor entrega a velha e cinco lâmpadas incandescentes. Recebe quatro lâmpadas fluorescentes de 15w e uma led de 9,5w. O investimento da Copel no Lar Eficiente é de R$ 14 milhões.
Segundo Vianna, esse programa já era feito para a população de baixa renda e agora foi estendido para toda a população. O presidente da Lojas Colombo, Adelino Vieira, disse que a empresa já fez a troca de cerca de 45 mil geladeiras para a população de baixa renda. Agora, a expectativa dele é vender 12 mil geladeiras a partir de 1º de julho, quando começa a valer a medida. A loja tem geladeiras com o kit de lâmpadas a partir de R$ 1.177,40, valor que terá o desconto de 45% a ser aplicado.
O outro programa é o Luz na Escola que prevê a troca de lâmpadas antigas por modelos fluorescentes. A previsão é substituir lâmpadas em 393 escolas estaduais. Segundo Vianna, em anos anteriores já tinham sido trocadas lâmpadas em 607 escolas.
O governo também criou o Fatura Solidária através do qual o consumidor poderá optar por receber a conta de luz por e-mail. "Vamos gastar menos papel. E, a cada adesão que tivermos vamos doar R$ 1 para a Apae", disse Vianna.


