Rio de Janeiro - As medidas macroeconômicas anunciadas pelo governo para conter o consumo se refletem na diminuição do otimismo das famílias em relação à economia. Um dos principais sinais desse fenômeno é a retração na compras de bens duráveis, como mostrou ontem o Índice de Expectativa das Famílias (IEF), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
''A pesquisa indica uma sintonia da população com as decisões do governo de desacelerar a atividade econômica'', afirmou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann. ''As famílias estão tomando decisões que implicam postergar a aquisição de bens de consumo e reduzir o seu grau de endividamento, esperando um momento de mais confiança na economia''.
Entre janeiro e maio, o IEF diminuiu de 67,2 pontos para 62,9 pontos, em uma escala de 0 a 100. O indicador mostra que as famílias ainda estão otimistas (entre 60 e 80 pontos), mas que a boa expectativa verificada no começo de janeiro, quando o indicador atingiu o patamar mais alto (67,2) desde sua criação, em agosto de 2010, está diminuindo gradualmente.
Dentre os cinco itens que compõem o IEF, a diminuição do percentual que mede a expectativa de consumo de bens duráveis é um sinal da redução da confiança no momento econômico. Em maio, 44,7% do entrevistados - o maior nível da série - disseram que aquele não era um momento adequado para a compra de bens e mais da metade apontaram na direção contrária (50,3%).
''Aumentou o contingente que acha que, agora, não é hora de comprar. [Os consumidores] Percebem que os produtos estão mais caros e não têm certeza se terão emprego e renda para pagar'' disse Pochmann. ''Por outro lado, acreditam na desaceleração [redução do ritmo] da inflação e querem deixar para comprar mais tarde''.
Das 3,8 mil famílias entrevistadas em 200 municípios, mais da metade das famílias (56,2%) esperam melhora da economia nos próximos 12 meses - o menor nível da pesquisa. E entre os que esperam uma piora, o percentual subiu de 17,5% para 33,4%, entre janeiro e maio.
Para o presidente do Ipea, as medidas macroeconômicas também podem influenciar no planejamento de quitação de dívidas e ajudam a explicar o aumento do percentual de famílias que não terão como pagar todas as suas contas. Esse indicador subiu de 32,2% para 41,7%, entre janeiro e maio.

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