Medidas confundem o mercado
Medidas confundem o mercado
O mercado se assustou com a MP de combate à elisão fiscal divulgada ontem pela Receita Federal. O objetivo da taxação das operações day-trade em bolsas é inibir as operações esquenta-esfria, mais comuns na BM&F, segundo operadores ouvidos pela Agência Estado. Ocorrem sobretudo em diretos, em que uma ponta tem lucro e outra, prejuízo, e ninguém acaba pagando imposto. A medida entra em vigor em janeiro de 2000 e, segundo profissionais de bolsas, dará visibilidade aos investidores.
Também a equalização do imposto sobre operações em bolsa com de renda fixa, a vigorar a partir de 2001, assustou a princípio. Mas isso evitará apenas simulações de renda fixa no mercado de renda variável, o que também é salutar, num olhar mais cuidadoso. Mas enquanto isso não ficou esclarecido, a Bovespa chegou a cair 2,15%. Gradativamente, contudo, o mercado foi digerindo as medidas e a Bovespa reduziu sua queda para apenas 0,06%. O volume negociado em São Paulo somou R$ 560 milhões.
Antes do anúncio da MP feito de forma atabalhoada pela Receita , a Bolsa paulista operava em alta, satisfeita com as medidas compensatórias anunciadas pelo governo para cobrir os R$ 2,38 bilhões inviabilizados pelo STF. Como disse um executivo, para o mercado, não importa que estas medidas atrapalhem a vida das empresas. Importa cumprir metas. Outra boa notícia foi o anúncio da troca de bradies por um bônus global de 10 anos.
Também animaram o mercado o anúncio, finalmente, de medidas para compensar a perda da arrecadação estimada com a decisão do STF sobre aposentadoria dos servidores; a troca proposta pelo governo brasileiro de bradies bonds por global bonds; e aprovação, anteontem, na Câmara, de mudanças na aposentadoria.
Diferentemente do que aconteceu com as bolsas de valores, o mercado de câmbio não sofreu um forte abalo com o anúncio das novas regras de IR para operações de day-trade. É certo que o dólar vinha de uma queda mais acentuada, da qual as cotações acabaram recuando para uma baixa menor. Mas, mesmo assim, o impacto pode ter sido considerado ameno. No final do dia, o dólar encerrava em baixa de 0,92%, a R$ 1,9350.





