As medidas de flexibilização do ‘‘corralito’’ que o governo anunciaria ontem à noite beneficiarão 75% das pessoas que possuem dinheiro depositado no sistema financeiro argentino. Este seria o principal ponto do pronunciamento que o presidente Eduardo Duhalde faria à nação em cadeia nacional de rádio e televisão. Uma fonte da Casa Rosada adiantou à Agência Estado os temas centrais que fariam parte do primeiro pronunciamento oficial de Duhalde, desde que assumiu a Presidência. O presidente voltará a insistir em que o ‘‘corralito’’ é uma ‘‘bomba de tempo muito perigosa e que é preciso muito cuidado para desarmá-la’’.
Com esta justificativa, Duhalde diria que para chegar à liberação de 100% dos depósitos levará tempo, mas que a partir de amanhã 75% dos depositantes serão beneficiados com as novas medidas. Duhalde questionará a atuação do Banco Central e lembrará que ‘‘neste governo não há mais aliança com o setor financeiro’’.
Também diria que Mario Blejer ocupará a presidência da entidade ‘‘temporariamente até que se encontre o perfil do novo presidente do BC’’. Duhalde anunciaria a distribuição de 200 pesos mensais às famílias mais pobres, cujos chefes estão desempregados. Os recursos serão entregues através de cartão bancário ‘‘para evitar intermediações, desvios e corrupção’’. Em localidades sem bancos, a distribuição será feita por ONGs e pela Igreja. Por fim, o presidente marcaria a diferença com Fernando De la Rúa dizendo que ele ‘‘sabe governar e quando toma uma decisão sabe que rumo tomar e o segue’’.
Duhalde classificaria as últimas declarações de Menem de ‘‘muito equivocadas que causam grande dano ao país’’ e que ‘‘ele não deve falar mais’’.

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