O governo ampliou os incentivos para a permanência de capitais especulativos no País, reduzindo para três meses o prazo mínimo para renovação de empréstimos estrangeiros e de novas captações. Com a medida, o governo quer evitar que os vencimentos da dívida externa previstos para este trimestre pressionem ainda mais o mercado de dólar, provocando novas desvalorizações do real. Outra norma aprovada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) permite que estrangeiros nas Bolsas apliquem em títulos os ganhos obtidos no mercado futuro de dólar.
Segundo o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Demósthenes de Pinho Neto, o encurtamento dos prazos ajudará a rolar os quase US$ 8 bilhões da dívida pública e privada que vencerão nos próximos dois meses, incluindo juros e principal. O prazo menor vale para capitais de perfil essencialmente especulativo, como as captações feitas pela resolução ‘‘63 caipira’’, e também para as colocações de títulos no exterior de empresa e governo. No caso da ‘‘63 caipira’’, o prazo mínimo estava fixado em seis meses. Essa é uma linha que deveria captar dinheiro dirigido à agricultura, mas brechas na norma permitem que os dólares sejam aplicados em títulos do governo, recebendo juros altos.
A renovação de empréstimos no exterior com a venda de títulos, como ‘‘bônus’’ e ‘‘notes’’, tinha de observar o prazo médio mínimo de seis meses. As novas captações com esses papéis tinham prazo de um ano. Antes da crise asiática, em outubro de 97, o prazo eram de três anos.

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