Medida tranquiliza o mercado
SÃO PAULO - A alteração da faixa de flutuação do câmbio não significa mudança da política cambial, segundo avaliação de economistas. A medida já era esperada pelos agentes econômicos e ajuda a tranquilizar o mercado. Marcelo Carvalho, economista-chefe do Banco JP Morgan diz que essa mudança não significa desvalorização do câmbio. Ele continuou no mesmo lugar, observou.
Carvalho explica que a alteração da faixa de flutuação do câmbio implicou em uma correção de 7,2% no piso e de 7,5% no teto, que passou de R$ 1,06 para R$ 1,14. Isso significa, segundo o economista do JP Morgan, uma correção de 7,4% no ponto médio da banda. Considerando o período de um ano, o percentual de 7,4% equivale a taxa mensal de 0,6%, que já tem sido utilizada pelo governo para a desvalorização mensal do câmbio nos últimos quatro meses. A última alteração da banda foi em janeiro do ano passado.
A medida do governo tranquiliza o mercado, diz Odair Abate, chefe do Departamento de Economia do Lloyds Bank. A correção, acrescenta, mostra que o governo não vai adotar um ritmo mais acelerado para a desvalorização do câmbio. A diferença entre o piso e o teto da nova banda é exatamente o mesmo da faixa de flutuação anterior: R$ 0,09, pondera Abate.
De acordo com os dois economistas, a medida do governo não está relacionada ao déficit da balança comercial do mês de fevereiro, que pode ficar próximo de US$ 2 bilhões. Esse dado negativo está dentro do esperado para o primeiro trimestre do ano e está negativamente influenciado pelos problemas da Petrobras na operação com o Siscomex.





