Medida surpreende administradoras
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de maio de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - Administradoras de cartões de crédito e bancos foram surpreendidos com as medidas do Conselho Monetário Nacional (CMN), editadas na quinta-feira, que proíbem o financiamento das despesas efetuadas com cartão de crédito no exterior. Não esperávamos que as medidas atingissem as despesas no exterior feitas por pessoas físicas, afirma o presidente da Visa no Brasil, Andrés Espinosa.
É que, na sua avaliação, a maior parte do desequílibrio das contas externas se deve à importação de bens pelas empresas. Mas os números do Banco Central mostram que as despesas de brasileiros no exterior chegaram a US$ 1,23 bilhão, nos últimos quatro meses e grande parte desse dinheiro, são faturas pagas por meio do cartão de crédito.
A bandeira Visa fatura mensalmente cerca de R$ 1 bilhão, entre despesas feitas por clientes no Brasil e no exterior. Espinosa diz que não tem, separadamente, qual a parcela das compras externas é refinanciada.
O diretor de cartões de crédito do Bradesco, Luiz Carlos de Freitas, também não esperava restrições nas compras externas. No caso do seu banco, que trabalha com cartões das bandeiras Visa e Mastercard, o impacto da medida não é representativo. Cerca de 70% dos 2,2 milhões dos donos de cartões emitidos pelo Bradesco fazem compras no País. E, do total das compras refinanciadas (domésticas e externas), as despesas efetuadas no exterior que entram no crédito rotativo representam 3%. Das compras externas, cerca de 10% são refinanciadas, no caso dos clientes do Bradesco.
Para a American Express, a medida não tem impactos, uma vez que essa bandeira normalmente não possibilita o financiamento das despesas nas compras feitas com cartão de crédito, informa o gernte de relações públicas da empresa, Eduardo Otaviano. A diretoria da Credicard não quis comentar o assunto porque não tinha detalhes sobre a regulamentação da medida.
Turismo Essa medida não tem impacto no nosso negócio, diz o presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), Leonel Rossi. Na sua avaliação, quem compra passagens, reserva hotéis no exterior e quita a fatura aqui, em reais, não será atingido. A medida afeta as despesas dos viajantes no exterior, o que não atrapalha a viagem em si, observa. A parte positiva, é que a restrição breca as compras por impulso.


