Medida pega de surpresa distribuidoras e postos
As medidas divulgadas ontem pelo secretário de Acompanhamento Econômico, Bolívar Moura Rocha, pegaram os integrantes do setor desprevenidos. Distribuidoras e postos de combustíveis ainda não fizeram o cálculo do impacto do aumento do preço nas refinarias para o consumidor.
O anúncio não era esperado e as distribuidoras de combustíveis estavam esperando a publicação da íntegra das medidas para calcularem o impacto sobre o preço final dos combustíveis. Como parte do subsídio está sendo retirado, a tendência é de aumento dos preços finais de gasolina, gás de cozinha e diesel.
O diretor-geral da Companhia São Paulo de Petróleo, Sérgio Dias, explicou que a estrutura de preços dos combustíveis é muito complexa e as informações divulgadas por Moura não permitiam uma análise detalhada do impacto. Também os diretores da Texaco e Shell do Brasil não estavam comentando as medidas pela falta de informações precisas sobre o exato teor das medidas.
O presidente do Sindicato das Distribuidoras Regionais Brasileiras de Combustíveis (Brasilcom), Augusto César Tramusas Samways, diz que é favorável ao fim do subsídio, porque aumenta a transparência nos preços do setor. Qualquer subsídio precisa ter regras claras e transparentes para beneficiar exatamente quem o governo quer ver beneficiado, diz Samways.
A Brasilcom ainda não tem os cálculos do impacto desse aumento na ponta de consumo, mas Samways acredita num aumento próximo a 9% no preço final. Ele não acredita numa redução do consumo com o aumento do preço. Tem um impacto inicial, no primeiro mês, mas depois as pessoas fazem as contas e vêem que a diferença não é tão grande, diz. Esse impacto também deve ser reduzido pelo aumento de consumo que normalmente ocorre nessa época do ano.
O presidente do Sincopetro, que reúne os postos de combustíveis de São Paulo, José Alberto Paiva Gouveia, acha que o impacto no preço final deve ficar em torno de 5%, como prevê o anúncio do governo. Como Samways, ele não acredita em queda de consumo. O consumidor já está no limite dos gastos e quem estava com orçamento apertado já reduziu os gastos, diz Gouveia. Segundo ele, o consumo nacional de combustíveis aumentou 3% este ano.





