Comerciantes de Foz do Iguaçu estão prevendo queda das vendas aos paraguaios a partir de segunda-feira, quando entra em vigor a taxa de 10% criada pelo governo do Paraguai sobre as importações de 350 itens. Ontem, o clima em Foz era de expectativa quanto ao impacto da medida no mercado da fronteira.
Um dos principais ramos que devem ser afetados é a Central de Abastescimento (Ceasa), em Foz, onde boa parte dos produtos está inserida na medida protecionista paraguaia. Os estrangeiros respondem por 70% dos clientes dos comerciantes brsileiros, que movimentam R$ 1,3 milhão por semana, segundo o gerente local, João Maria dos Santos Neto.
Segundo o revendedor Valter Solaeche, 28 anos, o ônus do imposto será repassado aos preços finais. Em sua opinião, a resposta dos paraguaios na próxima semana vai definir a dimensão da queda das encomendas. ‘‘Os preços das mercadorias devem aumentar o equivalente à taxa (10%)’’, afirma.
O gerente da Ceasa, entretanto, diz que é difícil prever os prejuízos. ‘‘É preciso esperar acontecer. Não dá para fazer uma previsão em cima de possibilidades. Oficialmente a cobrança (da taxa) ainda não começou’’. Ele afirma que os 160 boxes da Ceasa devem sentir os efeitos do novo imposto num prazo de duas semanas.
A taxa de 10% atinge itens básicos de vários segmentos da economia, como construção civil e vestuário, porém recai principalmente nos gêneros alimentícios. O país vizinho pretende, dessa maneira, obrigar os paraguaios a comprar os produtos nacionais.
Neste semana, o governo paraguaio adotou outra determinação para proteger o mercado interno. As Forças Armadas passaram a ajudar na fiscalização das bagagens dos paraguaios que cruzam a Ponte da Amizade de carro, a pé e de bicicletas transportando produtos comprados no Jardim Jupira e Vila Portes, bairros na região fronteiriça. A ordem é proibir a passagem de todos os atravessadores informais.

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