Medida não surpreende, mas não agrada
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2001
Agência Estado<br>Washington 
''A moratória, seguida de uma renegociação da dívida externa, é considerada inevitável e necessária até pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos'', disse um alto funcionário um organismo multilateral.
''Mas para ser levada a sério ela precisa vir acompanhada de outras medidas, como o fim da conversibilidade e a adoção de um novo regime cambial e de uma política fiscal adequada, que não precisa ser o défict zero proposto por Domingo Cavallo e aprovado pelo Congresso argentino, mas precisa ser coerente com os demais componentes'', acrescentou.
''Se não tomar a iniciativa, a Argentina será forçada a flutuar sua moeda antes das eleições presidenciais; tecnicamente, a dolarização não é mais sequer uma hipótese.''
As primeiras declarações econômicas de Rodriguez Saá, segundo as quais seu governo manterá a convertibilidade, introduzirá uma terceira moeda ou quarta, ou quinta, dependendo de quem faz a conta e redirecionará para a área social o dinheiro com o qual pagaria os compromissos da dívida externa reforçaram as dúvidas em Washington sobre a falta de compreensão, por parte do novo líder argentino, da natureza do problema que foi chamado a administrar.
''Ele pode ter falado para o público interno, mas mesmo assim o que disse não faz sentido, pois está prometendo investir na área social um dinheiro que o governo não têm'', disse a fonte.
Não se esperam novas declarações do Tesouro norte-americano ou do Fundo Monetário Internacional (FMI) durante os feriados de Natal.
Todos esperavam que a Argentina fosse declarar moratória, afirmou neste domingo um porta-voz do Banco da Inglaterra, após a cerimônia de posse do presidente argentino Adolfo Rodríguez Saá. ''A situação dos bancos britânicos é sólida'', acrescentou o porta-voz, em resposta ao anúncio de default por parte da Argentina que possui uma dívida pública total de US$ 132 bilhões. A dívida em títulos públicos do país de médio e longo prazos atinge US$ 94,6 bilhões de dólares, enquanto que o débito de curto prazo é estimado em US$ 3,7 bilhões.
Para o ministério britânico de Finanças, os que devem ''responder em primeiro lugar'' à decisão argentina são o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.


