Cobrada como a solução contra a estagnação da economia do País, a redução da Selic os juros básicos da economia não pode ser considerada a chave para a retomada do crescimento se não vier acompanhada de desoneração fiscal ao setor industrial, redução de recolhimento compulsório e, principalmente, geração de empregos e renda. Essa é a opinião dos economistas Laércio Rodrigues de Oliveira e Sidnei Pereira do Nascimento.
''A redução da Selic, assim como a queda da taxa de recolhimento compulsório, são políticas monetárias, de efeito imediato no mercado. São diferentes das reformas tributárias ou de decisões com o objetivo de desonerar a indústria. Essas são políticas fiscais que pedem participação do congresso, exigindo tempo'', explica Rodrigues, ressaltando que os juros básicos do Brasil ainda estão longe do ideal. ''Nesse patamar, ainda estamos comprometendo o processo produtivo''.
Combinada com a redução do recolhimento compulsório, a queda da Selic já pode ajudar o setor produtivo a dar os primeiros passos. ''Com a diminuição do compulsório, o volume de dinheiro disponível para os bancos aumenta. Mas como eles teriam a opção de comprar títulos de dívida pública, a queda não implicaria, necessariamente, em oferta de crédito. Porém, com a redução da Selic, os títulos pagam menos, e a oferta de crédito passa a ser uma opção mais atraente para os bancos gerarem lucros'', explica Nascimento.
A desoneração fiscal da indústria é outra medida aguardada com ansiedade pelo setor, que desde 1988, viu os impostos passarem de 26,8% para mais de 35% da participação no Produto Interno Bruto (PIB), aumento justificado pela União como uma necessidade para que fosse possível atender aos anseios da população. Aliado à opção do empresariado de investir em tecnologia ao invés de mão-de- obra, o peso tributário sobre as empresas pode ser considerado, hoje, um dos principais responsáveis pela monotonia econômica do Brasil. ''Com a desoneração, os empresários terão mais fôlego para investimentos em mão-de-obra, aumentando a renda e, consequentemente, a demanda por consumo''.
E é por isso que a redução gradual dos juros é o remédio mais recomendado para a economia do País. ''No Plano Real, por exemplo, vimos o poder de compra do brasileiro aumentar significativamente em curto período. Para barrar a inflação, o governo viu-se obrigado a promover a abertura de mercado, trazendo uma enxurrada de produtos do sudeste Asiático. A qualidade do que o brasileiro comprava foi comprometida'', afirma Sidnei. (A.M.)

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