''Medida é tomada fora de época e vai fazer voltar a inflação''
Arquivo FolhaJeitoAntônio Ermírio: Não somos disciplinados, somos latinos- Antonio Ermírio de Moraes, vice-presidente do Grupo Votorantim: Não gostei muito dessa liberdade do câmbio. Tem de controlar. Na minha opinião, a espiral inflacionária voltaria com a liberdade total do câmbio. A política cambial precisa de uma banda para colocar novamente ordem na casa. Não somos disciplinados, somos latinos. (FSP, 16/1/99 e 22/1/99)
- Mailson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda: Os juros não vão cair rapidamente. A euforia exagerada do mercado era injustificada. A mudança da política cambial deveria ter sido feita quando as condições tivessem sido atingidas. Agora estamos numa transição; o risco é muito alto.
- Luiz Furlan, presidente do Conselho de Administração da Sadia: Havia defasagem e era possível que viesse uma desvalorização para equilibrar isso, mas a mudança radical de política me surpreendeu. Há perplexidade no setor exportador.
- Jeffrey Sachs, economista, diretor do Instituto Harvard de Desenvolvimento Internacional: O último trem a descarrilar foi o do Brasil. O desastre provavelmente vai prejudicar não apenas o Brasil, mas boa parte da América Latina. Tudo isso poderia ter sido evitado. Os três engenheiros que conduziam a política econômica brasileira - seu governo, o FMI e autoridades dos EUA - foram descuidados. As Bolsas brasileiras saltaram diante da notícia de que a moeda nacional, o real, seria liberada para flutuar e que o pesadelo de uma camisa-de-força monetária seria excluído. Mas a moeda brasileira está supervalorizada há anos, prejudicando os exportadores brasileiros e contribuindo para manter seu crescimento em patamar baixo. (FSP, 19/1/99)
- Domingo Cavallo, ex-ministro da Economia da Argentina: A política de flutuação cambial é muito complicada de ser mantida diante da sensibilidade dos investidores. Vai estabelecer uma relação perversa entre o câmbio e a taxa de juros porque, ao relaxar a política monetarista e desvalorizar a moeda, sobem as taxas e isso agravará o problema fiscal. (FSP, 18/1/99)
- Octavio Mello Alvarenga, presidente da Sociedade Nacional de Agricultura: O mercado entrou em eufórica celebração. Até quando vai durar esse otimismo ridente e no que a desvalorização do real influi no setor agrícola brasileiro? Em média, a avaliação dos líderes é positiva. Os produtores rurais conseguirão quitar suas dívidas com menor quantidade de produtos... O aspecto negativo é o agravamento das dívidas das empresas que tomaram empréstimos em dólar. O reaparecimento da inflação, com toda a sequência de desgraças que o Brasil conheceu em passado recente, é um alerta. (O Globo, 18/1/99)
- Horácio Lafer Piva, presidente da Fiesp: Uma desvalorização de 15% ou 20% antes do ajuste fiscal pode criar uma pressão sobre os preços. O que a Fiesp propunha não era uma desvalorização, mas um reajuste um pouco acima da inflação. Desvalorizar a moeda antes de fazer um ajuste fiscal é uma loucura. (O Globo, 17/1/99)
- Luiz Marinho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC: É cedo para fazer prognósticos, mas o governo teimou muito; se a correção tivesse sido feita antes, a reação seria outra. (FSP, 16/1/99)
- Celso Furtado, economista e ex-ministro do Planejamento: O Brasil caminha para uma moratória da dívida externa. A fatura que o Brasil tem de pagar neste ano é de US$ 60 bilhões. O País não tem de onde tirar esse dinheiro. (FSP, 21/1/99)
- Aloizio Mercadante, economista e deputado federal eleito (PT-SP): A crise é muito grave e o país caminha para a moratória técnica.





