A adoção do ponto eletrônico é considerada ''um retrocesso'' pelo presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Londrina (Sindimetal), Valter Orsi. O empresário afirma que a decisão do governo vai implicar em custos desnecessários e inesperados pelas empresas. Segundo ele, cada equipamento vai custar entre R$ 3 mil a R$ 5 mil e a empresa deve ter um ponto para cada grupo de 50 funcionários.
Para Orsi, a medida vai burocratizar ainda mais as relações capital-trabalho com o excesso de papel e está na contramão do que acontece em outros lugares do mundo. ''O Brasil é um dos países com o maior custo em todas as áreas. Enquanto a gente vê países fazendo contratos de trabalho extremamente transparentes e ágeis, este é o tipo de burocracia que não traz vantagens para nenhuma das partes''.
O presidente do Sindimetal acredita que o interesse exagerado do governo em implantar o ponto eletrônico só pode se justificar pelo favorecimento de empresas fornecedoras dos equipamentos. ''A estimativa de faturamento só com o ponto eletrônico é de R$ 5 bilhões. Será que o objetivo não seria beneficiar os fornecedores desses equipamentos?'', pergunta o empresário. Segundo ele, este dinheiro poderia ser investido na melhoria e modernização das empresas brasileiras.
Orsi disse ainda que os empresários estão se mobilizando para revogar as mudanças e provar ao Ministério do Trabalho que a adoção do ponto eletrônico é inviável para a maioria das pequenas e médias empresas.
Decisão irreversível
Há poucos dias, o Sindimental promoveu uma palestra sobre o assunto com o consultor Gilson Gonçalves, especialista em direito trabalhista e previdenciário. O encontrou reuniu mais de 200 empresários locais, profissionais da área de recursos humanos e representantes de órgãos relacionados a questões de trabalho.
Gonçalves esclareceu uma série de dúvidas, mas explicou que a decisão do Ministério do Trabalho é irreversível. ''Não é uma questão de aprovar, de ser contra ou a favor. O sistema foi implantado por lei e em pouco tempo tudo será eletrônico. É a tecnologia e a única alternativa que resta é aproveitar o crescimento que ela possibilita'', disse o consultor.

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