A decisão do governo brasileiro de conceder salvaguardas para ajudar a Argentina a sair da crise econômica dividiu opiniões ontem entre o empresariado paranaense e profissionais envolvidos com o Mercosul. Enquanto alguns líderes de entidades de classe defenderam o posicionamento brasileiro, outros manifestaram receio em ver seus negócios reduzirem ainda mais.
O setor do frango é um dos que temem as salvaguardas, apesar de ainda não estar definido se estarão ou não na lista das sobretaxas para exportação para a Argentina. O presidente da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar), Paulo Muniz, teme queda maior ainda na exportação do frango nacional para a Argentina. ''A salvaguarda acaba sendo mais um ponto negativo para o equilíbrio das relações aduaneiras no Mercosul'', afirmou.
Das 186 mil toneladas de frango que o Paraná exportou até julho, 13 mil foram para a Argentina. O volume é muito inferior às 60 mil toneladas ao ano que foram exportadas em 2000. A redução se deve à taxação ao frango brasileiro imposta pela Argentina desde junho.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho, avalia que em curto prazo as salvaguardas serão prejudiciais aos setores industriais brasileiros, mas em médio prazo as medidas são essenciais para o fortalecimento do Mercosul. ''Parece uma medida injusta com a empresa brasileira, mas temos que analisar que o Brasil está assumindo a posição de líder do Mercosul'', afirmou.
Para o membro do Conselho de Comércio Exterior (Concex) da Associação Comercial do Paraná (ACP), Antonio Caron, o posicionamento do Brasil foi acertado, pois estará preservando as relações comerciais com um importante parceiro. ''Com a crise nos Estados Unidos, as relações do Mercosul têm de se intensificar''.
O presidente do Centro de Comércio Exterior, Zulfiro Bósio, defende a estratégia das salvaguardas, mas reconhece que a indústria nacional perderá. ''O governo deu um tratamento para a Argentina que não costuma dar para o empresário brasileiro'', disse. Mas em sua avaliação, às vezes é necessário recuar um passo para avançar dois mais tarde. (Carmem Murara, de Curitiba)

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