Medida deve impactar relação com estados
O anúncio do corte de R$ 44 bilhões no Orçamento da União e da meta de superávit primário das contas do setor público de R$ 99 bilhões, o equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB), terá um impacto positivo para o mercado porque representa um contingenciamento crível e sinaliza que o governo quer dar uma resposta ao baixo crescimento e inflação elevada. A avaliação é do analista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria Integrada.
Apesar do aspecto positivo deste anúncio para o mercado, o analista alerta que, ao reduzir o repasse de recursos para estados e municípios num ano eleitoral, o governo terá de exercitar seu talento político para blindar insatisfações e manter os partidos de sua coalizão alinhados, sobretudo com a intenção da presidente Dilma Rousseff de se reeleger em outubro. "A relação do governo Dilma com estados e municípios já é difícil, com este contingenciamento, num ano eleitoral, a situação tende a se acirrar ainda mais, exigindo, portanto, uma habilidade política maior do governo federal nessa relação", afirmou Cortez.
Na sua avaliação, a construção do Orçamento 2014 sintetiza o dilema do governo da presidente Dilma Rousseff com os erros e acertos das apostas feitas após sua eleição, em 2010. Cortez diz que o governo apostou numa agenda ambiciosa, na criação de uma "nova matriz econômica", acreditando que este seria o caminho para taxas de crescimento mais elevadas, a despeito da crise mundial. (Agência Estado)





