Para o professor José Antonio Zarate Elias, especialista em Farmacologia, a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária é positiva por criar regras para o setor. ''A partir de agora temos uma legislação que diz o que pode vender e o que se pode fazer em farmácias. A regulamentação vem moralizar o setor, e transformar a farmácia em farmácia de novo. A área de medicamentos estava cada vez mais restrita, o que tira um pouco a essência da coisa''.
Zarate Elias, que é membro do Conselho Regional de Farmácia do Paraná, critica a autorização de venda por telefone ou pela internet, pois essa modalidade dificulta o trabalho do farmacêutico. ''Nossa dúvida é como isso será fiscalizado. É preciso ter contato com a cliente, ensinar como se usa o medicamento.''
Ele também não acredita que as novas regras contribuam para reduzir a automedicação ou seus efeitos, conforme supõe a Anvisa. ''Os medicamentos isentos de prescrição médica usados na automedicação são drogas extremamente seguras e, se usados de maneira correta, não fazem mal algum. O que gera intoxicação são exatamente os medicamentos controlados'', diz. Segundo ele 97,5% dos casos de intoxicação acontecem com os medicamentos sujeitos a controle especial e vendidos apenas com receita médica, enquanto apenas 2,5% dos casos acontecem com outros medicamentos.
O professor não acredita que a regulamentação da Anvisa trará prejuízos para as farmácias. Citando informações desses estabelecimentos, ele diz que a contribuição da conveniência é relativamente pequena se comparada ao faturamento geral dessas empresas. ''A tendência é que o tamanho das farmácias diminua e, em função disso, também os custos porque não será preciso uma área tão grande. Diminuindo o tamanho, deve aumentar o número de farmácias especialmente nos bairros, o que é muito interessante''. A medida, na opinião do especialista, vai aumentar a concorrência entre as farmácias, favorecendo o consumidor.
Zarate Elias também discorda da Anvisa quanto ao tempo concedido às farmácias para que adotem o novo sistema. ''Seis meses é muito tempo. É bom apenas para as pessoas que estão pensando em abrir farmácias para que possam pensar no novo modelo. Para as que já existem, acho que três meses seria bom e um mês seria o ideal''. (E.A.)

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