Medida cai como
bomba no setor
produtivo do Paraná
Os representantes dos setores produtivos de leite e carnes no Paraná foram surpreendidos ontem pela iniciativa do governador de São Paulo, Mário Covas, em estender no dia anterior a guerra fiscal para os segmentos de laticínios e de abate de animais. O assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Nelson Costa, disse que as cooperativas de leite que fornecem matéria-prima para as grandes indústrias e que não receberam incentivos fiscais do governo serão as grandes prejudicadas.
Citou que na área de laticínios há um comércio de mão dupla entre os dois Estados e assim como vão produtos daqui para lá, vêm lácteos paulistas para cá também.
O diretor executivo do Sindicato da Indústria da Carne (Sindicarnes), Péricles Salazar também manifestou surpresa, apesar de estar mais familiarizado com o assunto, pois o setor de carne bovina tem sido vítima da guerra fiscal do governo paulista há 1,5 ano. Ele antecipou que o sindicato vai estudar se não há medidas legais a serem tomadas. Segundo o Sindicarnes, o ICMS da carne bovina é zero em São Paulo, enquanto aqui os frigoríficos pagam 4%. Já no setor de suínos e aves tanto aqui no Paraná como em São Paulo o ICMS é de 7%.
O diretor do Departamento de Pecuária da Secretaria de Agricultura, Cesar Amin Pasqualin, reconhece que todo o programa de reestruturação para modernização da produção leiteira, em andamento no Estado, fica comprometido. O setor produtivo de leite cresce uma média de 6,4%. No ano passado, foram produzidos 1,9 bilhão de litros, um aumento de 5,5% à produção de 1998, quando foram colocados no mercado 1,8 bilhão de litros. A elevação de 100 milhões de litros deve-se ao aumento de produtividade, disse o médico veterinário da Secretaria da Agricultura, João Carlos Koehler. A preocupação agora recai em encontrar mercado consumidor para o excedente de produção.

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