Brasília - A Receita Federal inicia, em fevereiro, uma operação especial de fiscalização sobre as pessoas físicas. Os focos serão: abatimentos de despesas com saúde e rendimentos de aluguel. O trabalho começa com a convocação de 1.500 profissionais da área de saúde cuja renda declarada é muito diferente da soma dos recibos por eles emitidos. No período de 1999 a 2002, essa diferença soma R$ 350 milhões, segundo dados da Receita.
''Ou os médicos não declararam todo seu rendimento, ou eles declararam e as pessoas utilizaram recibos turbinados, ou houve venda de recibo'', disse o secretário-adjunto da Receita Paulo Ricardo de Souza Cardoso. O coordenador de Fiscalização da Receita, Marcelo Fisch, disse que há um caso de um médico que emitiu recibos no valor aproximado de R$ 1 milhão. No entanto, sua movimentação financeira foi da ordem de R$ 50 mil e seu patrimônio não passa de R$ 80 mil.
Os médicos terão de comprovar a emissão dos recibos. Caso eles neguem tê-los emitidos, os contribuintes que os apresentaram passarão a ser convocados. ''Muitas pessoas que já receberam restituição do Imposto de Renda podem ser convidadas a apresentar os recibos'', alertou Fisch.
Pela legislação, a Receita pode cobrar créditos tributários de até cinco anos atrás. Os 1.500 chamados são os que apresentaram maior discrepância de dados. No entanto, a Receita está analisando 16 milhões de recibos de mais de 10 mil profissionais liberais.
Um outro foco de fiscalização são as rendas de aluguel. Desde 2002, a Receita tem em mãos um instrumento novo que vai dificultar a sonegação nessa área: as informações das imobiliárias. A Receita sabe quanto as imobiliárias repassaram aos proprietários de imóveis a título de aluguel e está comparando essas informações com aquelas constantes da declaração do Imposto de Renda.

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