Médicos que escrevem receitas ilegíveis devem ser denunciados
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segunda-feira, 03 de dezembro de 2001
Denise Angelo<br>De Ponta Grossa 
Não é difícil encontrar um paciente que acaba de sair do consultório médico com uma receita na mão, da qual não entende uma palavra sequer. A letra ilegível de muitos médicos acaba tornando ainda mais difícil a vida de pacientes.
''Já tive que voltar no médico perguntar o que era o remédio recomendado porque nem os farmacêuticos entenderam'', conta a dona de casa Luzia Aparecida Rubibiniski. Indignada, ela diz que ainda precisou aguardar a vez, como se fosse fazer uma nova consulta, para esclarecer a dúvida.
O Conselho Regional de Medicina (CRM) recebe reclamações desse gênero. ''Nunca houve um caso mais grave, de um paciente morrer porque a receita estava má escrita e o farmacêutico não a entendeu, mas reclamações sempre existem'', conta o presidente do conselho, Luiz Salim Emed.
Segundo ele, a preocupação com o receituário médico é antiga. ''Em 1930, Getúlio Vargas fez um decreto, obrigando os médicos a escreverem de forma legível'', conta o presidente. Mas de lá para cá pouca coisa foi feita para que a lei fosse cumprida.
Os casos que chegam ao Conselho Regional de Medicina não são muitos. Nos últimos dois meses, três reclamações foram registradas, mas Emed acredita que o número de casos que não chegam até o conselho é bem significativo. ''Houve um caso do cartório que ia emitir a certidão de óbito ligar para o Conselho pedindo ajuda porque não conseguia entender o nome do médico nem a causa da morte'', conta Emed.
Ele orienta os pacientes que passarem por uma situação semelhante a encaminhar para o CRM uma reclamação, com a cópia da receita. ''Quando existe uma reclamação nós chamamos o médico e pedimos para que ele seja mais cuidadoso'', conta o presidente.
Além disso, o Conselho tem aproveitado os seus canais de comunicação com a categoria para fazer um constante alerta aos profissionais. ''O médico precisa ter consciência de que se ele produzir um dano ao paciente porque a receita estava ilegível, tanto ele quanto o farmacêutico, que vendeu o remédio sem ter certeza, serão responsabilizados'', acrescenta.


