O governo federal autorizou ontem o reajuste dos preços de medicamentos em até 6,31%, índice considerado baixo por sindicatos industriais do setor. São três níveis de aumento, o que deixa a média em 4,59%, abaixo da inflação oficial de de 5,84% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2012. Para o consumidor, a diferença deve ser sentida durante o mês, devido aos estoques, mas as farmácias já podem remarcar os valores.
Segundo autorização da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), publicada no "Diário Oficial da União" de ontem, apenas os medicamentos com participação de genéricos igual ou superior a 20% podem ter reajuste de 6,31%. Quando a competição de genéricos é de 15% a 20%, o aumento pode chegar a 4,51% e, quando a concorrência for menor do que 15%, a 2,70%.
Na média, o índice ficou em 4,59%, considerado pouco pelo presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos de Londrina (Sinfarlon), Jefferson Proença Testa. "É o único segmento da economia sobre o qual o governo mantém o controle de preço e vamos chegar a um momento em que a indústria vai ter de parar de produzir", diz.
O presidente do Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná (Sinqfar), Marcelo Ivan Melek, afirma que o índice abaixo da inflação vai repercutir nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. "No Paraná, o aumento de custos é grande porque temos um salário mínimo regional, que é alto. Houve aumento de 8% na convenção salarial do ano passado, acima do reajuste máximo de 6,31%", conta.
Melek critica o cálculo de produtividade da CMED. "É um método que leva em conta a projeção de ganhos da indústria. Não sabemos como é feito exatamente, mas a metodologia está incompatível", conta, em opinião semelhante à de Testa. "É uma conta perversa, que não fecha, e a tendência é desestabilizar o mercado."
Por reconhecer a importância dos medicamentos para a população em geral, o presidente do Sinfarlon acredita que deveria ocorrer controle somente sobre os preços de remédios de uso contínuo, como o para diabetes, pressão alta ou tratamento de câncer.
Enquanto representantes da indústria reclamam, a dona de casa Mercedes dos Santos Irassoquy considerou o aumento de preços "um absurdo". Ela aproveitou que algumas drogarias de Londrina ainda não tinham repassado o reajuste para os preços de gôndola e correu para comprar remédios de uso contínuo. "Peguei a receita hoje (ontem), mas vim direto para a farmácia. Fiz até um cadastro de laboratório para pagar mais barato e comprei para 60 dias."
O gerente de compras da rede Nissei, João Leonardo Bussi, diz que o reajuste nas farmácias deve, mesmo, ficar em torno de 4%. Ele conta que as negociações com os novos valores vêm desde o dia 30 de março, porque a alta é retroativa à data.
Mesmo assim, por estratégia comercial, Bussi afirma que a rede manterá até hoje os preços antigos para todos os remédios. Ainda, os valores dos genéricos serão os mesmos do mês passado até o dia 30 deste mês. "Fizemos uma negociação, com compra antecipada, para garantir o preço."
Com o crescimento do emprego e renda para a população brasileira, o gerente de compras considera que o varejo consegue, muitas vezes, dar descontos em remédios, principalmente no caso dos genéricos. Porém, lembra que é difícil repetir a estratégia com a maioria dos medicamentos.

Imagem ilustrativa da imagem Medicamentos têm alta de até 6,31% e fabricantes reclamam
mockup