Curitiba - A inflação de abril ficou em 0,55% e acima dos 0,47% de março. O resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) veio acima do percentual de 0,47% esperado pelo mercado. Isoladamente, os remédios, que subiram 2,99%, lideraram a lista dos principais impactos na inflação do mês passado. Este resultado é reflexo do efeito do reajuste autorizado sobre os preços dos medicamentos em 31 de março, que variou de 2,70% a 6,31%. Em função disso, o grupo saúde e cuidados pessoais teve alta de 1,28% em abril. Também contribuíram para a alta deste segmento serviços médicos e dentários, que subiram 1,19%.
Outra alta individual expressiva no IPCA foram os serviços domésticos que aumentaram 1,25%. Para o economista chefe da Inva Capital e coordenador do coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi, a alta já mostra reflexo dos novos direitos dos empregados domésticos que foram estabelecidos pelo governo federal. Além disso, segundo ele, o Brasil está vivendo um processo natural de pressão de salários pela falta de mão de obra, que acontece também neste segmento de domésticos.
Apesar de terem subido menos que em março, os alimentos continuaram a pressionar o IPCA em abril. No mês passado, a alimentação subiu 0,96% contra 1,14% em março. As refeições fora de casa cederam levemente em relação ao mês anterior, subindo 0,69% contra 0,72% em março.
Entre os alimentos que mais subiram em abril estão a batata inglesa (16,16%), a cebola (10,96%), o feijão carioca (9,44%) e a cenoura (7,82%). O tomate continuou em alta, subindo 7,39% em abril. Dezordi disse que a safra maior de grãos acabou prejudicando a logística de outros produtos como os hortifrutigranjeiros, o que ajudou a elevar os preços destes alimentos.
A redução das tarifas de energia e do telefone fixo contribuíram para evitar uma maior alta da inflação. A energia elétrica residencial caiu 0,25% em abril, acumulando redução de 18,25% no ano, e o telefone fixo teve queda de 1,06%, uma deflação de 0,58% ano ano.
Segundo a pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação acumulada pelo IPCA no ano já atinge 2,50%. Nos últimos 12 meses, o índice subiu 6,49%, pouco abaixo do teto da meta do governo que é de 6,50%.
Para o economista José Pio Martins, a inflação de abril é preocupante. Segundo ele, o índice de maio também vai depender do impacto do inverno no preço dos alimentos. E, para o fechamento de 2013, ele acredita que passe um pouco do teto da meta. ''Tudo vai depender das medidas que o governo tomar'', avaliou.
Dezordi acredita que a inflação pode desacelerar um pouco em maio e ficar em 0,45% por conta dos alimentos. Ele prevê que o Banco Central aumente um pouco os juros novamente para tentar conter o processo inflacionário. Para junho e julho, o economista estima que a inflação caia devido à maior safra agrícola.
No entanto, ao final de 2013, ele prevê que o IPCA tem condições de fechar em 5,7%, se o governo aumentar um pouco os juros. Mas, com isso, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceria apenas 2,5%.

Curitiba
Na Capital paranaense, a inflação ficou em 0,63% em abril. Os principais grupos com aumento foram saúde e cuidados pessoais (1,64%), artigos de residência (1,65%) e alimentos (1,17%). Na alimentação, os maiores aumentos individuais ocorreram em itens como batata (15,77%), cebola (17,58%), tomate (11,93%), brócolis (19,70%) e alface (13,37%). (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Medicamentos, domésticos e alimentos pressionam IPCA
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