A indústria farmacêutica quebrou o acordo fechado com o governo federal de congelar o preço dos medicamentos até dezembro deste ano. Pesquisa divulgada ontem pelo CRF-DF (Conselho Regional de Farmácia) do Distrito Federal mostra que seis laboratórios aumentaram no começo deste mês os preços de 21 itens de medicamentos, com variações de 4,98% a 11,49%.
Segundo o CRF-DF, os laboratórios que burlaram o acordo de congelamento e aumentaram os preços dos medicamentos foram Abbot, Bunker, Bergamo Cristália, Delta e Jansen-Cilag. A decisão de manter congelada a tabela de preço dos medicamentos está regulamentada pela lei 10.213, que criou a Câmara de Medicamentos. Antes de congelar os preços, o governo permitiu que os laboratórios reajustassem seus preços em até 5,94%.
A pesquisa do CRF-DF mostra que o maior aumento de medicamento foi verificado no antitussígeno Tossilerg, do laboratório Bunker. O remédio, que custava R$ 5,57 em junho, passou a ser vendido por R$ 6,21 em julho – nos Estados onde o ICMS é de 18%. De acordo com a pesquisa, os preços dos remédios subiram 150% durante a vigência do Plano Real.
A indústria farmacêutica brasileira pediu ao governo federal um reajuste médio de 8% nos preços dos remédios, com a justificativa de cobrir aumento dos custos com a alta do dólar, informou ontem o presidente da Abifarma (Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica), Ciro Mortella.
Ele disse que o setor ainda aguarda uma resposta oficial do governo. ‘‘Defendemos o mesmo tratamento dado a outros setores, como o de energia’’, diz Mortella, lembrando o reajuste de 16,61% da energia elétrica concedido ontem à Eletropaulo. Ele diz que, se o governo não autorizar o reajuste aos medicamentos, o setor sofrerá consequências ‘‘graves’’. ‘‘A falta da recomposição dos custos inviabiliza produtos, empresas e investimentos’’, afirma. (AF)

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