Curitiba - As médias empresas paranaenses estão há muito tempo desamparadas pelo governo estadual. Ao contrário de companhias de fora e montadoras que receberam benefícios fiscais para investirem no Estado, as empresas médias têm mais dificuldade de obterem isenções e linhas de crédito. Desde a extinção do Banco de Desenvolvimento do Paraná (Badep) há mais de dez anos, e da venda do Banestado ao Itaú, os financiamentos para médios produtores e empreendedores estão mais escassos.
Até mesmo as pequenas empresas têm mais facilidade a créditos e isenções fiscais, através do Simples, que facilita o pagamento de tributos, e da Agência de Fomento do Paraná. ''É preciso pensar na outra escala de produção, na empresa de médio porte'', afirma o presidente da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap), Ardisson Akel.
Para Akel, o governo estadual tem se preocupado bastante com o microempresário e com empresas grandes de alto nível tecnológico. ''As pequenas e médias ficaram com falta de apoio'', avalia. Segundo ele, há poucas opções no Paraná. ''Não adianta os financiamentos de 60 ou 90 dias que os bancos privados oferecem. Quando se fala em fomento, é preciso um tempo para que haja retorno'', disse.
A Faciap tem um convênio com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), mas isso é insuficiente para Akel. ''O banco, apesar de estar atualmente no comando de um paranaense, tem sede em Porto Alegre, e não tem capilariedade, não tem agências no Interior'', relatou. Através das associações comerciais dos municípios, a Faciap tem feito o repasse de verbas do BRDE.
A entidade também firmou parceria com o Banco do Brasil, nos moldes que Akel considera ideal: um ano de carência para começar a pagar e prazo de dois anos para quitar o débito, com taxas baixas de juros. O valor do empréstimo varia de R$ 20 mil a R$ 50 mil. ''Mas são opções que a Faciap foi atrás. Achamos que deve haver ação mais forte, com estudos de viabilidade, orientação ao empreendedor'', acrescentou.
O vice-presidente de Administração do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Paraná (Ibef), Ovaldir Nardin, também avalia que falta opções de crédito para a média empresa. ''O BRDE e é um banco dos três Estados, e dentro das suas restrições, tem que priorizar o alvo. Os programas de atração de investimentos beneficiou principalmente grandes empresas e montadoras e assim o médio empresário ficou perdido nesse meio. A reportagem procurou a Secretaria da Indústria e Comércio e a Agência de Fomento do Paraná, mas não havia ninguém para responder as questões.

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