As empresas que melhor pagam seus funcionários no País são as instituições financeiras. Enquanto a média dos salários nacionais, no período de janeiro a abril deste ano, estava em R$ 685,01, nos bancos o salário médio supera R$ 2 mil. Nas instituições financeiras o salário mais alto, de R$ 3.335,92 foi registrado em Brasília (DF) e o mais baixo, de R$ 1.586,14, em São Luis (MA).
Os dados foram divulgados ontem pela Previdência Social com base nas informações que as empresas são obrigadas a prestar todo mês na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações para a Previdência Social (GFIP).
Segundo o secretário-executivo do ministério da Previdência Social, José Cechin, as informações coletadas traçam um diagnóstico preciso do mercado de trabalho brasileiro, mostrando a capacidade de contribuição dos trabalhadores e seus empregadores, com base na evolução do emprego formal. É com base nessas informações que a Previdência Social monta a sua estratégia de atuação, acompanhando permanentemente as contribuições para evitar sonegação e desenvolvendo ações para aumentar a cobertura. São 2,2 milhões de estabelecimentos que prestam, mensalmente, informações detalhadas sobre os seus 19 milhões de trabalhadores.
Cechin explica o fato das instituições financeiras pagarem mais pela maior qualificação profissional exigida dos seus trabalhadores. Brasília paga o maior salário porque, segundo o secretário, conta com a sede de grandes bancos oficiais federais, como o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
''Isso não quer dizer que em outras regiões, como São Paulo, que também conta com grandes sedes de bancos privados, os salários não sejam altos'', disse Cechin. O que acontece é que, em São Paulo, esses grandes salários são diluídos por uma massa maior de trabalhadores e, consequentemente, a média fica menor. Mesmo assim, os salários médios pagos pelos bancos com sede na capital paulista são o segundo maior do País, tendo alcançado, em abril último, R$ 2.934,83.
Na pesquisa a Previdência Social também detectou queda e aumento real nos salários. A maior queda, em termos reais, foi verificada em Fortaleza. Na capital do Ceará os salários médios caíram, em termos reais, 7,8% do primeirro quadrimestre de 2000 para igual período deste ano. De acordo com Cechim o que pode ter acontecido foi a demissão de trabalhadores com salários altos no período, o que influenciou a média, uma vez que não pode ocorrer diminuição do salário nominal do trabalhador. O maior aumento real de salários, de 10,4%, ocorreu em Palmas, capital do Tocantins e aí a explicação é que se trata de uma cidade nova, com instalação de empresas que buscam atrair trabalhadores oferecendo remuneração mais elevada.
José Cechin disse que as informações relevam, ainda, a importância das capitais na economia dos Estados, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Em Roraima, por exemplo, 90,7% das empresas estão localizadas na capital, Boa Vista. Esse índice é de 88,9% no Amazonas. Nos estados mais desenvolvidos esse índice cai bastante, sendo de 29,3% em São Paulo, 16,2% em Belo Horizonte e 16% em Porto Alegre.

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