Média de idade de caminhões preocupa ANTT
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de fevereiro de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba O primeiro diagnóstico do setor de transporte rodoviário de cargas do País após a implantação, em 2004, do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), foi divulgado ontem pelo diretor-executivo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), José Alexandre Resende.
De acordo com o superintendente de Logística e Transporte Multimodal da ANTT, Aury de Mello Teixeira, o que mais chamou a atenção no diagnóstico foi a diferença entre a idade média dos veículos autônomos e de cooperativas, cerca de 20 anos, e a dos veículos de empresas, aproximadamente 10 anos. ''A capacidade de renovação da frota das empresas é muito superior. Por isso, é necessário pensar em soluções para a questão dos veículos autônomos, que estão mais suscetíveis a acidentes'', afirmou. Segundo ele, não existe no Brasil a obrigatoriedade da inspeção veicular, feita somente nos veículos que estão saindo do país. Teixeira adiantou, no entanto, que recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverão ser destinados ainda este ano para projetos ligados à melhoria dos caminhões autônomos.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), Fernando Klein Nunes, afirma que já era esperada alguma disparidade entre autônomos e empresas, mas se surpreendeu com a idade média da frota total de caminhões, cerca de 15 anos. ''O ideal é que os veículos circulem até 5 anos. Depois deste período, eles já apresentam problemas, incluindo desde despesas altas com manutenção até aumento da poluição do ar'', explica. Segundo Nunes, para o caminhoneiro autônomo, o problema é ainda mais grave, já que ele geralmente não consegue obter linhas de crédito com a mesma facilidade das empresas, ''sem contar a grande burocracia'', conta.
Uma das propostas da Setcepar é a implantação de um programa nacional de renovação de frota, luta que segundo Nunes está sendo travada há mais ou menos dois anos com o governo federal. ''A idéia é que o caminhoneiro entregue o veículo velho como parte de um pagamento facilitado para obtenção de um caminhão novo'', resume.


