Oswaldo PetrinEm testeMáquina colhe algodão na Estação Experimental do Iapar, em Cambará, para avaliação de técnicos e produtoresA mecanização da colheita de algodão no Paraná é viável e não exclui o emprego da mão-de-obra. A pesquisa vai continuar desenvolvendo tecnologias para as pequenas propriedades tradicionais pelo importante papel social que elas desempenham.
Esta é uma das informações do pesquisador Ruy Yamaoka, do Iapar, ao longo de uma palestrasobre a mecanização da colheita do algodão feita durante Dia de Campo realizado dias atrás na Estação Experimental, em Cambará. Falando para mais de 200 técnicos e agricultores, Ruy mostrou todas as etapas da mecanização desde as primeiras importações de máquinas, em 1952. No encontro falaram ainda os pesquisadores Walter Jorge dos Santos, sobre manejo de pragas, e Wilson Paes de Almeida, sobre novidades em termos de variedades.
Embora as primeiras importações de máquinas tenham ocorrido 45 anos atrás, somente no início da década de 70 é que se estabeleceram as bases técnicas para implantação da colheita mecânica no Brasil. No Paraná a primeira unidade foi introduzida em 1973, pela San Lucas Agr. Ind. de Andirá. Em seguida novas unidades foram introduzidas, porém só no final da década de 70 foi que ocorreu um aumento substancial quanto atingiu um número superior a 40 unidades, a maioria usadas.
O interesse pela colheita mecânica tem surgido sempre que o preço da colheita, aumenta, atingindo acima de 20% do preço do produto em caroço. Outro fator que tem motivado os cotonicultores a procurarem pela colheita mecanizada está ligado à qualidade do trabalho.
Yamaoka lembra que em 1976, quando o Iapar efetuou os primeiros trabalhos com a colheita mecanizada, o tipo de algodão colhido mecanicamente era, em média, um tipo inferior ao colhido manualmente. Hoje esta relação se inverteu: a qualidade da mão-de-obra caiu enquanto a máquina faz uma colheita melhor, resultando num tipo superior.
A tecnologia para colheita mecanizada está disponível, mas Yamaoka faz uma ressalva que, no caso do Paraná, problemas climáticos - como chuvas durante a abertura das maçãs, podem interferir na qualidade quantidade de algodão colhido, perdendo para regiões de clima mais definido e de baixa precipitação pluviométrica.
Ao discorrer sobre tipos de máquinas, o pesquisador disse que no caso do Paraná, inicialmente predominavam as colhedoras da marca Ben Pearson, que possuem fusos cilindricos, acionados por processo mecânico direto do motor. Atualmente o sistema predominante é de fusos cônicos, utilizados pelas marcas Jhon Deere e Case. Estas colhedoras fazem colheitas com duas, quatro e cinco linhas simultaneamente.
Existem também as máquinas argentinas (‘‘Sapucay’’) do sistema russo: ao invés de fusos utilizam barras colhedoras. Estas exigem variedades mais compactas e um cultivo mais eficiente, pois a presença de plantas daninhas interfere na eficiência da planta.
Na colheita mecânica de algodão ocorrem perdas de até 15%. Parte desta perda decorre de queda natural antes mesmo da máquina entrar no campo. No Dia de Campo de Iapar a perda constatada foi de 5% considerada baixa. Para reduzir a perda o pesquisador surgeriu a colheita manual no ‘‘baixeiro’’ para depois esperar a abertura total dos capulhos para executar a colheita mecanizada.
Ao decidir por uma colheita mecanizada o cotonicultor deve conhecer o bem o tipo de máquina que irá utilizar, suas exigências e também planejar a condução da lavoura. A adaptação do algodoal deve ocorrer nos seguintes aspectos: quanto às condições do terreno, quanto às variedades, à semeatura e quanto aos tratos culturais. Yamaoka, detalhou cada um desses itens. Um bom preparo de solo, por exemplo, é fundamental para uma semeadura uniforme.
Durante a palestra o pesquisador relacionou as vantagens e desvantagens da colheita mecanizada do algodão.

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