Curitiba - Que especialização o profissional deve buscar depois de conseguir o diploma universitário? Entendidos no assunto divergem sobre a escolha ideal, mas são consensuais ao afirmar que ter apenas o ensino superior não basta para encarar o competitivo mercado de trabalho. Os cursos de Master in Business Administration (MBA), que viraram febre no Brasil, nos últimos anos, estão entre os mais procurados por profissionais de diversas formações.
Para o diretor-executivo de Economia, Banking e Finanças da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Carlos Alberto Ercolin, ter um MBA no currículo é um referencial, sim. Mas, quando o profissional decidir por esse tipo de formação, deve investir em uma instituição diferenciada. ''Há 20 anos, quando as pessoas se formavam, bastava a faculdade. Hoje em dia, isso é insuficiente, pois o mercado precisa de gente mais atualizada'', destacou.
Ercolin aconselha que, em primeiro lugar, o interessado em uma especialização tenha bem definido ''o que pretende fazer com seu diploma'': partir para uma consultoria, ser funcionário ou buscar um posto executivo. Ele lembra que para os profissionais da área técnica - como médicos, por exemplo - o ideal é partir para um doutorado, pós-doutorado (PhD), que é mais focado em pesquisa. Já para os administradores, contadores, economistas, a qualificação que mais se encaixa é o MBA.
Ercolin, que já fez MBA na Fundação Instituto de Administração (FIA), e é professor dos cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro e São Paulo, e da Universidade São Marcos, avalia que, atualmente, há muitas instituições brasileiras qualificadas para oferecer cursos de alto nível.
Dependendo do curso e da instituição escolhida, ponderou Ercolin, é preferível ficar no Brasil à buscar uma especialização no exterior. Isso, porque as escolas daqui trabalham com ''cases'' adaptados à realidade brasileira. ''É claro que Harvard (instituição norte-americana), por exemplo, está alguns pontos na frente, pois tem um filtro maior (para a admissão) do que uma instituição brasileira, mas não adianta sair do País para cursar MBA em uma instituição de segunda, terceira linha'', acrescentou.
O fato de ter cursado um MBA em outros países pode ter um outro peso no currículo. ''Para ir para fora do Brasil, ficar longe de casa, da família, enfrentar a barreira do idioma, a pessoa já mostrou algum desprendimento e, isso, também, pode ser um diferencial''.
O ''headhunter'' Bernt Entschev, da De Bernt Consultoria, acredita que o mestrado profissional é, hoje, a alternativa mais apropriada para quem quer se destacar no mundo executivo. ''A maioria dos profissionais não faz o mestrado por pura desinformação, pois pensa que essa formação tem uma visão voltada para a academia'', avaliou Entschev. Para ele, a proliferação de MBA's no Brasil foi tão grande que nem todos os cursos têm qualidade. ''Por isso, ter um MBA não é um adicional significativo'', justificou.
A recomendação do consultor é que, depois de sair da universidade, o ideal é ingressar no mercado e trabalhar por dois anos para ter o mínimo de experiência e, aí sim, buscar uma especialização. ''Hoje, a educação deve ser continuada. As mudanças nas áreas do conhecimento são recicladas a cada quatro anos e essas modificações são profundas. O profissional que não se atualiza corre o risco de entrar na obsolência'', advertiu.

mockup