Mau humor global reflete na Bovespa
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quinta-feira, 22 de junho de 2006
Agência Estado 
São Paulo - A turbulência financeira global já custou aos bancos US$ 41 bilhões de queda no valor de mercado. Em pouco mais de um mês, o preço das 18 instituições negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) despencou de US$ 129 bilhões para US$ 88 bilhões, uma queda de 32%, segundo levantamento da consultoria Economática com 229 companhias abertas. O setor financeiro foi responsável por 22% das perdas de US$ 187 bilhões da Bovespa, de 9 de maio até 13 de junho.
As empresas de petróleo e gás ficaram em segundo lugar na lista dos maiores perdedores. Apenas sete companhias responderam por uma queda no preço de mercado de US$ 33 bilhões. A área de mineração, com duas companhias listadas na Bolsa, aparece em seguida, com prejuízo de US$ 18 bilhões. Juntos, os três setores, que somam 27 empresas, foram responsáveis por 50% (US$ 93 bilhões) das perdas da Bovespa.
De acordo com a Economática, desde o início da turbulência global, em maio, o índice Bovespa (Ibovespa) caiu 29,83% em dólar, para 32.847 pontos. Já o índice que inclui as ações com governança corporativa se desvalorizou 30,89%, o segundo maior prejuízo entre as Bolsas da América Latina e dos Estados Unidos. Os índices brasileiros só perdem para os da Colômbia, cuja desvalorização atingiu 46,65% desde maio.
Tanto mau humor entre os investidores deve-se à evolução dos juros americanos, hoje em 5% ao ano. A preocupação é que a alta das taxas para conter os preços desacelere a economia americana e desencadeie uma crise mundial. A possibilidade de isso ocorrer faz com que os investidores refaçam suas apostas nas aplicações.
Na maioria das vezes, esse investidores vendem papéis do mercado acionário e se refugiam em títulos do governo, como os treasuries americanos. Os mercados emergentes, como o Brasil, são os que mais sofrem nesses momentos de nervosismo, já que representam maior risco.
Por enquanto, ninguém arrisca dizer até onde vai essa turbulência. A certeza é que até o dia 29, quando o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) decide a nova taxa de juros nos Estados Unidos, o nervosismo vai imperar entre os investidores, afirma o economista da GRC Visão, Jason Vieira.
Há, no entanto, a esperança de que, após a reunião, os dirigentes da autoridade monetária americana dêem algum sinal do rumo das taxas. A indicação de que o aperto monetário pode continuar significará mais uma dose de mau humor no mercado.
Apesar das quedas consecutivas, os analistas não classificam o nervosismo atual como uma crise e acreditam que logo as Bolsas possam ter resultados positivos. ''É um processo de correção'', afirma o diretor de Renda Variável do Crédit Suisse First Boston (CSFB), Marcelo Kayath.


