Mattoso sugere revisão de conceitos com FMI
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de agosto de 2003
Rita Tavares<br>Agência Estado 
São Paulo O presidente da Caixa Econômica Federal (Caixa), Jorge Mattoso, sugeriu ontem que, se o Brasil renovar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), reveja os conceitos de investimento e gasto público. Mesmo ponderando que ainda não se sabe se um novo acordo será assinado, ele disse que é importante que este permita resolver não apenas o problema do balanço de pagamento do País, mas também a retomada do crescimento.
''Os resultados obtidos indicam que o Brasil poderá ou não assinar novo acordo com o FMI. Mas assinado este acordo, para minorar os riscos no balanço de pagamento, deve haver espaço para políticas de equilíbrio e justiça'', afirmou, durante palestra no seminário ''Público e Privado: Parceiros do Novo Modelo de Desenvolvimento''.
Mattoso criticou o papel do sistema financeiro na concessão do crédito ao setor privado, citando alguns exemplos: entre 1998 e 2001, 91% do financiamento do setor habitacional foi feito pela Caixa. ''Isso é um equívoco, o setor privado deveria participar mais.''
Ele também citou a iniciativa do banco de facilitar o acesso das 25 milhões de famílias que estavam excluídas do sistema financeiro e do crédito formal. No início da próxima semana, a Caixa espera atingir a abertura de 500 mil contas direcionadas a esse público, sendo que este resultado era esperado para o final do ano. Agora, a meta da instituição passou a ser de um milhão de novas contas até o final de 2003.
O presidente da Caixa disse que esta é uma demonstração de quem duvidava da eficiência da iniciativa, o que forçará o sistema financeiro a ter uma postura de maior concorrência. Em tom indignado, ele disse que a parcela mais pobre da população chega a pagar juros de 400% ao ano em financeiras para comprar um simples ferro de passar roupa de R$ 21,00. ''Os juros não são o mais importante, mas eles podem emperrar ou facilitar o crescimento'', afirmou Mattoso, que também defendeu que a Caixa Econômica deve dar lucro, além de atender seu compromisso social. ''Essa dicotomia é um profundo equívoco. Para exercer esse desafio, nada melhor do que um banco comercial com bons resultados'', afirmou.


