São Paulo - O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, criticou ontem as propostas das centrais sindicais para o uso dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para garantia de crédito, aquisição de segundo imóvel e a utilização dos recursos para material de construção.
Ele afirma que isso esgotaria os recursos do FGTS em dois anos. Mattoso observou que a proposta de construção de 1 milhão de novas moradias é viável desde que realizada no período de dois anos, pois a capacidade histórica tem sido de 300 mil unidades ao ano. De acordo com o presidente da Caixa, a proposta das centrais sindicais exigiria recursos de R$ 10 bilhões, aplicados em 2004 e 2005 com a finalidade de preservar o equilíbrio do Fundo.
A utilização de 50% dos saldos das contas para aquisição de material de construção, como reivindica as centrais, foi considerada por Mattoso como ''inviável'', pois, segundo ele, não há como controlar o uso dos recursos e os saques atingiriam R$ 37,5 bilhões, causando desequilíbrio nas contas do Fundo.
Ele considerou inviável também a proposta para aquisição do segundo imóvel com recursos do FGTS, pois implicaria em saques de R$ 14,5 bilhões, ''desequilibrando as contas'' e, ainda, favorecendo a especulação imobiliária, a concentração de renda e de propriedade, além de prejudicar a possibilidade de direcionamento dos recursos para a população que não possui moradia.
Mattoso considerou também inviável a proposta das centrais sindicais do uso da conta vinculada do FGTS para garantia de empréstimos feitos pelas instituições financeiras, pois quebra o princípio de que as contas são impenhoráveis, impossibilita o trabalhador de usar o saldo da conta para outras modalidades de saque (demissão, compra de imóvel etc) e induz ações judiciais de credores sobre as contas para pagamento de dívidas em geral. ''Isso inviabilizaria e desvirtuaria a natureza do FGTS'', declarou.

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