Mato Grosso do Sul vai sacrificar 20 mil animais
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sexta-feira, 09 de dezembro de 2005
João Naves de Oliveira<br>Agência Estado 
Campo Grande- Mais de 1% do rebanho bovino de Mato Grosso do Sul deve ser sacrificado sob suspeita de febre aftosa. Até ontem pela manhã, o chamado rifle sanitário foi disparado contra 19.269 cabeças de gado, além de 313 ovinos e 243 suínos, totalizando 20.068 abates, desde outubro, quando foi constatado o primeiro foco da doença no extremo sul do Estado.
Os trabalhos estão concentrados nos municípios de Japorã, Eldorado e Mundo Novo, onde ainda existem 28 focos. Saíram da área de risco Iguatemi e Itaquiraí, o que não representa ainda o total controle da situação, observou o diretor-presidente da Agência Estadual de Defesa Sanitária, Vegetal e Animal, João Crisóstomo Muad Cavalléro. ''Temos de acelerar ao máximo os sacrifícios e todas as medidas para erradicar o problema.'' Ainda há de 4.500 a pouco mais de 5 mil bovinos a serem sacrificados.
Ele explicou que, além do rifle sanitário, são empregadas ações como raspagem de terra e esterco na área onde animais são criados. Todo esse material foi recolhido e enterrado em vala feita exclusivamente para esse fim. Na seqência, o uso de vassoura e fogo reforçaram a limpeza, e em seguida tudo é lavado com a solução desinfetante e detergente. Essa mesma solução é aplicada em todo material usado nas propriedades, como pás, enxadas, máquinas agrícolas, carrinho de mão, cordas e arreios.
Para o secretário de Produção, Dagoberto Nogueira Filho, são medidas inevitáveis e tomadas com todo cuidado, pois está em jogo um rebanho de 25 milhões de bois e vacas, uma das maiores riquezas do Estado, responsável pela exportação de 50% da carne bovina do País. Ele acrescentou que a tarefa de lavagem e desinfecção também se estendeu aos cochos de sal, bebedouros e comedouros, que foram flambados e posteriormente lavados com a solução.
Dagoberto reafirmou que os focos de aftosa que surgiram no sul do Estado estão sob controle. Lamentou apenas os transtornos causados com a situação, principalmente prejuízos nas exportações. Ressaltou que a pior fase está passando, com a reabertura de mercados compradores como o de São Paulo, para animais produzidos fora das áreas de risco.
Um dos setores que mais sentiram o impacto foi o de suplementação e nutrição animal, com queda de até 50% nas vendas. Entretanto, os próprios comerciantes analisam que, mesmo antes da crise gerada com a aftosa, esse segmentos passava por período difícil. Conseqência do baixo preço pago pela arroba do boi, afirmam. Os pecuaristas estão cortando despesas ao máximo, procurando por exemplo, usar o sal branco, mais barato, porém com menor poder de qualidade de engorda do gado, que fica mais tempo no pasto para ganhar peso.


