O Estado do Mato Grosso do Sul, que concentra o maior rebanho de gado de corte do País, com 23 milhões de cabeças, e já estava há 38 meses sem registro de febre aftosa, terá de recomeçar do zero a contagem para se tornar uma área livre da doença, depois da descoberta de dois focos na semana passada. Assim que receberam uma denúncia anônima, os técnicos do Ministério da Agricultura visitaram duas fazendas no Estado e sacrificaram quase 1.200 animais.
Segundo a chefe da divisão de febre aftosa do ministério, Denise Euclides Mariano da Costa, em uma das fazendas os técnicos mataram, queimaram e enterraram 690 bovinos, 65 ovinos e 12 suínos e na outra, 426 bovinos. A verdadeira guerra travada contra a febre aftosa se justifica: é uma doença considerada de quinto mundo pelos países desenvolvidos, segundo os técnicos da área de defesa animal do Ministério da Agricultura, porque ocorre pela total falta de higiene. Os animais apresentam aftas, reduzem a produção de leite e contaminam uns aos outros com extrema facilidade.
Como os focos apareceram na cidade de Porto Murtinho, na fronteira com o Paraguai, há suspeita de que os animais tenham vindo daquele país, mas, segundo os técnicos da área de defesa animal, ainda não há nenhuma confirmação deste fato. O ministério notificou ao Centro Pan-Americano de febre aftosa a ocorrência dos focos em Mato Grosso do Sul, e, no final do mês, deverá comunicar também à Organização Internacional de Epizootias (OIE). Em maio, a OIE deverá declarar formalmente os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina como as primeiras áreas livres de febre aftosa do Brasil. O ministério esperava entrar em seguida com pedido de liberação do circuito Centro-Oeste, mas agora Mato Grosso do Sul ficará fora dessa iniciativa.

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