Campo Grande - A Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) de Mato Grosso do Sul anunciou ontem o fim das ações de erradicação da febre aftosa. A única exceção é a fazenda Bonanza, que fica no sul do Estado e teve o abate impedido por ordem judicial.
De acordo com o diretor-presidente da Iagro, João Cavallèro, o proprietário da fazenda conseguiu uma liminar a qual impede que as 1.700 cabeças de gado sejam sacrificadas.
Cavallèro afirmou que a Procuradoria Geral do Estado tenta derrubar a liminar na Justiça. ''Assim que conseguirmos a autorização judicial, daremos início ao abate. O proprietário terá que ser rápido para recorrer e tentar derrubar novamente os abates'', disse ele.
A previsão era que a limpeza sanitária acabasse em 30 de dezembro, com 29 mil cabeças abatidas. O saldo final da operação sanitária - sem o gado da Bonanza - totaliza 30.719 animais mortos. O sacrifício dos rebanhos é medida adotada para agilizar o processo em busca do restabelecimento do status de área livre de aftosa.
O próximo passo, afirma o diretor-presidente da Iagro, é deixar as propriedades 30 dias sem gado. Em seguida, bois-sentinelas (bezerros não-vacinados) são colocados nas fazendas para testar a eficiência da limpeza. Esses animais devem permanecer nas áreas durante 30 dias sem ficar doentes.
Depois, os bezerros são submetidos a testes para verificar se ainda há vírus de aftosa na região. O processo completo deve demorar seis meses. Desde o início de outubro, foram registrados 28 focos de aftosa em Mato Grosso do Sul.
Embargo - A partir da próxima semana, o Brasil reinicia as conversações com três países que embargaram as importações de carne bovina brasileira depois da descoberta dos focos de aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná. Duas missões brasileiras visitarão a Rússia e o Chile enquanto uma missão da União Européia chega ao Brasil.
Segundo o diretor do Departamento de Assuntos Sanitários e Fitossanitários do Ministério da Agricultura, Odilson Ribeiro, a missão da União Européia chega ao Brasil no dia 23 de janeiro e ficam no país até o dia 3 fevereiro. ''A missão vem dar sequência às negociações iniciadas no final de 2005 para tentar minimizar os embargos às importações de carne brasileira quando os técnicos brasileiros estiveram em Bruxelas'', disse ele.
Agora, os técnicos virão ao Brasil para checar os procedimentos que foram tomados nos locais dos focos. Segundo Ribeiro, os técnicos europeus irão aos locais onde foram registrados focos.

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