Materiais de construção terão normas técnicas
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terça-feira, 24 de junho de 1997
Carina Paccola 
Dorico da SilvaParceirosHoffmann, Kemmer, Delgado e Di Chiara: trabalho conjunto para melhorar qualidadeMelhorar a qualidade dos tijolos, blocos cerâmicos e telhas fabricados na região de Londrina é a meta de um trabalho que está sendo realizado em conjunto pela Universidade Estadual de Londrina, Sebrae (Serviço de Apoio à Pequena Empresa no Paraná), Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) e Associação dos Fabricantes de Lajes. A idéia é que os materiais de construção sejam produzidos de acordo com as especificações técnicas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Para isso, o Ipem/Inmetro (Instituto de Metrologia) - que agora ganhou função fiscalizadora com poderes para autuar e prender - vai começar a coletar materiais dos fabricantes da região. O trabalho começa no setor cerâmico. São em torno de trinta empresas. As amostras recolhidas vão passar por uma verificação metrológica no próprio Ipem. Ou seja, serão analisadas as dimensões - largura e altura - dos tijolos e telhas. Segundo o chefe da agência regional do Ipem em Londrina, Paulo Delgado, é obrigatória a inscrição nos materiais das dimensões e do nome do fabricante.
Após essa fase, as amostras serão encaminhadas para o Núcleo de Estudos e Pesquisas de Engenharia e Arquitetura (Nepea) da Universidade. Ali, são realizados três ensaios para avaliar o nível de absorção de água, de impermeabilidade e de carga de ruptura à flexão (ou seja, que peso o material suporta). O diretor do Nepea, professor José Roberto Hoffmann, afirma por exemplo que uma cerâmica deve suportar uma carga de 150 kg.
A partir dos resultados, os fabricantes são orientados a adequar sua produção para que os materiais de construção sejam produzidos conforme as normas. Segundo Hoffmann, muitas vezes há resultados diferentes nos testes aplicados em materiais de um mesmo fabricante. Isso significa que não há uniformidade na produção ou então que a matéria-prima vem de fontes diferentes, explica.
Os fabricantes podem contar com assessoria técnica do Nepea - com financiamento do Sebrae - para mudar seu modo de produção. De acorco com Hoffmann, em muitos casos é necessário apenas uma mudança de comportamento. Às vezes não é preciso fazer novos investimentos. Paulo Di Chiara, consultor do Sebrae, afirma que será elaborado um manual dirigido aos fabricantes que vai explicar as normas com linguagem bastante acessível.
Aguinaldo Kemmer, da Associação de Fabricantes de Lajes, lembra que estão sendo elaboradas novas normas (NBR - Norma Brasleira Registrada) para as lajes pré-moldadas. As informações preliminares sobre as novas técnicas serão difundidas numa palestra que o grupo vai promover em julho. Hoffmann, da UEL, faz parte da comissão nacional que estuda essas normas. Quem vai ganhar com esse trabalho é o consumidor, que terá produtos de qualidade na hora de construir, diz Kemmer.


