Londrina - O reajuste no preço da matéria-prima moveleira está preocupando os empresários do setor, que já prevêem uma possível queda nas vendas de final de ano, época de forte demanda por móveis. Alguns componentes chegaram a subir cerca de 40%, como é o caso da espuma, e os empresários não estão conseguindo fazer o repasse para o preço final do produto.
Também tiveram fortes reajustes as chapas de painéis, embalagens (plástico e papelão), tintas e vernizes. O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), Sebastião Antônio Batista, que também é proprietário da indústria de móveis Azulbrás, diz que o setor está tendo que reduzir a margem de lucro, porque o repasse aos preços pode significar uma queda ainda mais acentuada nas vendas.
Segundo ele, a onda do desemprego só não atingiu o parque moveleiro de Arapongas, o segundo maior do País, devido à redução na produção de outros parques do Brasil e até mesmo o fechamento de algumas indústrias do setor. ''No pólo de Bento Gonçalves (RS), que vendia muito para a Argentina, tem indústria trabalhando só três dias por semana. Indústrias de Votuporanga (SP) e Lagoa Vermelha (RS) fecharam as portas'', cita o presidente do Sima. O parque de Arapongas acabou absorvendo parte da produção das indústrias em dificuldades maiores.
O secretário executivo do Sima, José Roberto Pontalti, destaca que a comercialização já vem retraída desde o início do ano, período em que as empresas do pólo contabilizaram vendas menores do que no ano anterior. O primeiro reajuste no preço dos painéis de madeira foi de 11,5% em média a partir de mês de julho. Para outubro, os fornecedores anunciam outro reajuste de 14%. Tintas e vernizes subiram 25% em setembro e as embalagens foram reajustadas em 32%. ''Não sabemos como o mercado vai se comportar daqui para frente, mas a indústria não tem como absorver o aumento de custos sem repassá-los à produção'', salienta Pontalti.
Sebastião Batista defende que as indústrias reduzam a produção para equilibrar a oferta à demanda. ''É um dos caminhos para adequar os custos'', diz. Na Azulbrás, segundo ele, houve redução de 26 mil peças para 19 mil peças por mês.
O empresário Renato Lázaro, da Araplac, indústria de guarda-roupas, observa que teria que reajustar em cerca de 17% os preços de seus produtos para manter o equilíbrio da empresa. ''Mas como fazer o repasse se o problema do consumidor é o bolso?'' O problema, segundo ele, é o preço do dólar, já que muitos componentes de matérias-primas utilizadas pelo setor moveleiro são cotados com base no valor da moeda norte-americana.
Joeser Castro Souza, do departamento de compras da Simbal, também diz que o setor está sofrendo aumentos consecutivos em decorrência do aumento do dólar. ''Noventa e oito por cento da matéria-prima da espuma tem preço vinculado ao dólar'', exemplifica, acrescentando que os reajustes devem comprometer as vendas.

mockup