RIO - O chefe de Polícia Civil, delegado Hélio Luz, confirmou ontem que foi encontrado um plano para o assassinato de cinco autoridades e o sequestro de três pessoas numa favela do Rio. Luz procurou minimizar o impacto do plano, que além de assassinatos, previa o sequestro da mulher de um jogador de futebol, de uma empresária e de um executivo do mundo artístico. ‘‘São papéis velhos, encontrados há quatro ou cinco meses’’, afirmou. Luz proibiu que a polícia divulgasse detalhes e nomes envolvidos no plano. ‘‘Isso só serviria para alarmar, inutilmente, as pessoas’’, alegou.
O plano de execuções e sequestros foi encontrado por policiais da 20ª Delegacia Policial (Grajaú) na Rua Roberto da Silveira 46, no Parque União, em Bonsucesso, durante uma investigação que a polícia fazia sobre José Maria Siqueira, o Cascudo, acusado de ser um dos maiores sequestradores do Estado. O desembargador Antônio Carlos Amorim, presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), e o procurador de Justiça Antônio Carlos Biscaia acreditam na veracidade do plano. Ambos estariam relacionados na lista de autoridades marcada para morrer.
Biscaia acredita que os matadores possam ser ligados a bicheiros, fraudadores da Previdência ou policiais corruptos. Amorim não acredita no envolvimento dos bicheiros. ‘‘Eles não estão fortes assim’’. A juíza Denise Frossard, responsável pela condenação da cúpula do jogo do bicho no Rio, disse desconhecer os documentos. ‘‘Sigo os preceitos bíblicos de orar e vigiar’’, comentou a juíza, cujo nome não consta da relação.
O plano de execução teria sido levado ao governador Marcello Alencar pelo secretário de Segurança Pública, general Nilton Cerqueira, o procurador-geral de Justiça, Hamilton Carvalhido e o próprio Hélio Luz. No dossiê encontrado na favela, haveria detalhes sobre a rotina das pessoas visadas. Além de Biscaia e Amorim, outro desembargador, outro procurador e um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) estariam na relação.

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