Massa salarial permite mais gastos das famílias
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Agência Estado 
Rio de Janeiro - - O consumo das famílias registrou, no segundo trimestre deste ano, aumento de 6,7%, o 19º aumento trimestral consecutivo, segundo destacou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis. No primeiro trimestre de 2008, o consumo das famílias havia crescido 6,6% ante igual trimestre do ano passado, ou seja, o patamar de expansão manteve-se estável de um trimestre para o outro. O consumo das famílias passou de R$ 412 bilhões no primeiro trimestre deste ano para cerca de R$ 430 bilhões no segundo trimestre. No primeiro semestre, a alta foi de 6,7% e, em 12 meses, de 4,1%.
Segundo Rebeca, a continuidade no aumento do consumo responde a uma aceleração no aumento da massa salarial real (8,1% no segundo trimestre ante igual período do ano passado, sendo que no primeiro trimestre o aumento da massa havia sido de 6,5%) e a um crescimento nominal de 32,9% do saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para pessoas físicas no segundo trimestre, ante igual período de 2007.
Rebeca lembra que o aumento do saldo de operações de crédito ''desacelerou um pouco'' em relação ao primeiro trimestre, quando havia crescido 33,7% em termos nominais, mas prossegue ''muito expressivo''.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou ser ''muito bom'' a acomodação do consumo das famílias. ''A desaceleração está dentro do previsto'', afirmou. Apesar da menor demanda interna, Mantega disse que o final do ano será bom para os brasileiros. ''Teremos um excelente Natal para as famílias'', previu.
Juros
Rebeca avaliou falta de efeito da elevação dos juros sobre o consumo das famílias no segundo trimestre, e observou que ''os juros começaram a subir em abril e demora um tempo para que isso tenha efeito sobre a economia. Além disso, houve outros fatores que influenciaram o consumo, como a aceleração no aumento da massa salarial''.
Rebeca também foi questionada sobre possíveis efeitos das turbulências internacionais sobre o desempenho da economia brasileira no primeiro semestre. Ela respondeu que ''a gente não sabe quanto (a economia) poderia estar crescendo sem as turbulências, mas de qualquer forma tivemos um crescimento bom e sustentado pelos investimentos, que tiveram aumento recorde no segundo trimestre''.
Segundo ela, o aumento dos investimentos ''é muito importante, porque aumenta a capacidade produtiva do País''.
Governo
O consumo do governo também continuou subindo, com aumento de 5,3% no período de abril a junho em relação aos mesmos meses de 2007 e de 0,3% na comparação com janeiro a março. No acumulado do primeiro semestre, a elevação foi de 5,6% e em 12 meses de 4,1%. Em anos eleitorais, como o atual, há tendência de aumento de gastos públicos.
Por outro lado, também é comum a antecipação de gastos governamentais para o primeiro semestre, devido à legislação eleitoral, que impede certos tipos de gastos três meses antes das eleições, que serão realizadas em outubro. No primeiro trimestre, o consumo do governo aumentou 5,8% ante o primeiro trimestre do ano passado e 4,5% na margem.


