Massa salarial cresceu 11% após Real
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domingo, 20 de abril de 1997
Denise Neumann Agência Estado 
Melhor desempenhoNo Paraná, o salário real na indústria registrou crescimento de 51% desde julho de 1994 SÃO PAULO - O crescimento dos salários após o Plano Real está ajudando a manter o consumo. A massa salarial entre os empregados na indústria é hoje 11% maior do que no início do Plano Real, em julho de 1994, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), elaborados pela MA Consultores Econômicos.
Esse estudo mostra que o grande crescimento dos rendimentos ocorreu no primeiro ano do plano e foi de 10,5% nos dados válidos para todo o País. No segundo ano, o ganho foi de apenas 1,0% e nos últimos 12 meses o salário industrial já acumula perda de 2,3%.
Os dados da Federação das Indústrias no Estado de São Paulo (Fiesp) mostram uma trajetória bastante diferente entre salário médio real e massa salarial após o Plano Real. Desde o início do Real (julho de 1994 a fevereiro de 1997), o salário médio real acumula um ganho de 21% e a massa, de apenas 6,1%, informa o sócio-diretor da MA Consultores, Flávio Nolasco.
Salário real e massa salarial real cresceram mais ou menos de maneira uniforme até setembro de 1995 (considerando o período pós-Real). Entre julho de 1994 e setembro de 1995, o salário acumulava um ganho real de 11,4% e a massa de 10,5%. A partir desta data, a massa de rendimentos pára de subir e os salários mantêm o crescimento. É uma dinâmica perversa, observa Nolasco, lembrando que ela está relacionada justamente com as demissões.
O consultor observa que o crescimento do salário médio real ou da massa salarial provocam efeitos diferentes na economia. Quando o salário médio real cresce junto com o crescimento da massa salarial, há mais pessoas ganhando mais. Quando o salário médio real cresce sem ser acompanhado pela evolução da massa salarial, há menos pessoas ganhando mais, o que representa menos renda disponível para consumo.
Nolasco pondera que quando crescem juntos o salário e o emprego, os setores mais beneficiados são justamente os da indústria que produz em grande volume, como bebibas, alimentos e farmacêutica. Mas a venda de veículos e eletroeletrônicos mais sofisticados respondem mais ao crescimento do salário real do que ao aumento da massa de salários, avalia.
Migração O comportamento salarial foi bastante distinto entre os Estados e reflete a migração industrial dentro do País. Pelos mesmos dados da CNI, desde julho de 1994 o salário real na indústria cresceu 51% no Paraná, 43% no Ceará e 33,5% no Amazonas.
Em contrapartida, a massa salarial em São Paulo cresceu só 2%. Na Bahia, ocorreu queda neste período, com os rendimentos caindo 2,7%. Esse crescimento dos salários já reflete a migração da indústria do eixo Rio-São Paulo para novas regiões, como o Estado do Paraná, observa Nolasco. Para o Paraná, lembra ele, está indo, entre outras empresas, a Renault.
As informações da CNI também permitem identificar uma perda salarial no período mais recente. Entre os 12 Estados que compõem a estatística da entidade, sete registram queda na massa salarial dos últimos 12 meses. A queda varia de 1,5% na Bahia até 6,1% em São Paulo.
Em parte esse resultado está influenciado pelas demissões na indústria. As dispensas também ocorreram no início do Plano Real, mas naquela oportunidade a queda da inflação permitiu um crescimento real dos salários que suplantou, em seguida, a perda de massa salarial decorrente das demissões.


