Masisa inaugura no Paraná o mercado livre de energia
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quinta-feira, 14 de setembro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
Depois de cinco anos do início da desregulamentação do setor energético nacional, as empresas instaladas no Paraná começam a optar pelo livre mercado de energia. A Copel fechou ontem o seu primeiro contrato de cliente livre com a indústria chilena de painéis de madeira e MDF, Masisa. O segundo acordo será assinado até o final de outubro com a siderúrgica Cisa/CSN de Araucária.
A Masisa comprará 9 megawatts da Copel para viabilizar parte de sua produção, que começa em dezembro na unidade industrial localizada em Ponta Grossa. O restante da energia virá do gás natural da Bolívia. Serão 13 mil metros cúbicos, comprados da Compagás (Companhia Paranaense de Gás). Segundo o diretor presidente da Masisa, Italo Rossi, a fábrica produzirá 240 mil metros cúbicos de painéis ao ano.
Como consumidora livre de energia, a fábrica de MDF pôde negociar o valor da tarifa, diretamente, com a concessionária de energia. Ela não fica mais atrelada às regras tarifárias impostas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), como acontece hoje com o usuário doméstico ou com as pequenas empresas, por exemplo.
Os contratos costumam ser mais curtos e há ainda a entrada da concorrência entre as distribuidoras. Acreditamos no sistema aberto e escolhemos a Copel, porque ela tem tarifa de mercado, disse Rossi. A Masisa pagará R$ 60,00 o megawatt, valor similar ao cobrado dos clientes cativos do porte da fábrica de MDF.
A Copel já teve o exemplo prático do que será o mercado de energia nos próximos anos. Em 1999, a companhia foi procurada pelos grupos instalados em São Paulo, Volkswsagen, de Taubaté, e Carbocloro, Cubatão (SP). Ambas estavam descontentes com a tarifa da concessionária paulista Bandeirantes, que era 22% mais cara do que a da Copel. A concessionária paranaense ganhou o contrato e hoje fornece energia para elas. A vantagem de ser consumidor livre é que você pode negociar o contrato, enquanto que com o cliente cativo isso não é permitido, explicou o gerente de Grandes Clientes da Copel, Moisés Nami.
O mercado livre de energia vale, por enquanto, apenas para os grandes consumidores, que gastam no mínimo 1 megawatt de energia. Este patamar já foi bem maior. Em 1995, quando o setor começou a se abrir apenas as megaconsumidoras que usavam energia de 69 mil volts e consumiam acima de 9 megawatts tinham direito a escolher a sua distribuidora preferida. Mas até 2005, segundo a Aneel, ou até 2008 como prevê o mercado, qualquer cliente poderá optar pelo seu fornecedor. Um consumidor residencial poderá escolher de quem ele quer comprar energia elétrica, afirmou Nami. Ele pode trocar a Copel pela concessionária de outro Estado, por exemplo.


