Marx deixa governo e cria dúvidas sobre dívida pública
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de dezembro de 2001
Agência Folha<br>De Buenos Aires 
O vice-ministro argentino da Economia, Daniel Marx, deixou ontem o governo e aumentaram as dúvidas sobre a condução da reestruturação da dívida pública do país. O pedido oficial de demissão de Marx foi pela manhã. Miguel Kiguel, presidente do Banco Hipotecário, irá assumir o posto de Marx. A equipe do ex-secretário de Finanças, Roque Fernández, passará conduzir a troca da dívida no lugar de Marx.
Os motivos da renúncia ainda não foram revelados, mas há semanas, nos bastidores do governo argentino, dizia-se que Marx e Cavallo tinham problemas de relacionamento. Segundo a imprensa argentina, Marx e Cavallo tiveram uma dura discussão quando o ministro decidiu limitar os saques nos bancos sem consultar o vice-ministro. Marx teria dito que limitar os saques a US$ 250 por semana provocaria uma severa perda de confiança dos mercados no governo.
Marx também teria sido contra a viagem do ministro a Washington na semana passada, quando Cavallo se reuniu com diretores do FMI (Fundo Monetário Internacional).
A renúncia do vice-ministro Daniel Marx sugere que o país está próximo do ''default', na avaliação da economista da Corretora Fator Dória Atherino, Samantha Salvetti. ''Daniel Marx é um nome com credibilidade no mercado e com certeza ele não quer se associar a um default', afirmou a economista. Para Samantha, a moratória da dívida argentina não passa de janeiro.
Orçamento O presidente Fernando de la Rúa resolveu aumentar a pressão para convencer a oposição a aprovar o Orçamento de 2002, sem o qual o FMI não liberará os desembolsos pendentes. Em encontro que teve com o ex-presidente Carlos Menem, De la Rúa teria admitido que, se o Orçamento não for aprovado até o fim do ano, a Argentina entrará em ''default'' (calote) em janeiro.
A informação apareceu ontem nas páginas do jornal ''Clarín''. A dificuldade que o governo enfrenta para aprovar o Orçamento são os vários cortes extras exigidos pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) para mandar aos cofres argentinos o US$ 1,26 bilhão esperado ainda para este mês.
O ministro da Economia, Domingo Cavallo, afirmou que o governo federal terá de fazer um ajuste extra de US$ 1,5 bilhão e as Províncias, de US$ 2,5 bilhões.


