Brasília - O ministro do Planejamento, Martus Tavares, deixará o governo para assumir o cargo de diretor brasileiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele será substituído no ministério pelo secretário-executivo Guilherme Dias, segundo anunciou ontem o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente. A nomeação de Dias ocorrerá até o início de abril. Até lá, Martus continuará respondendo pelo cargo.
Na condição de ministro indicado, Dias disse ontem que reafirmará todos os fundamentos da política fiscal do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Recusando-se a comentar os efeitos negativos que o atraso na votação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) poderá acarretar para o Orçamento deste ano, Dias limitou-se a afirmar que ‘‘abacaxi se descasca com faca afiada’’.
De acordo com interlocutores do governo no Congresso, a troca de ministro do Planejamento ajudará o Executivo a administrar as pressões pela liberação de verbas neste ano de eleições e de Orçamento apertado, especialmente daquelas oriundas da base governista.
‘‘Dias assume sem compromisso de cumprir as promessas feitas aos deputados e senadores nos últimos anos por Martus’’, disse o parlamentar governista.
Segundo o ministro-chefe da Casa Civil, Dias tem todo o respaldo técnico para assumir o cargo, além de estar integrado com a equipe econômica. Ele participou da missão brasileira que negociou o último acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington (EUA), e acompanhou a elaboração da Lei de Responsabilidade Fiscal no Executivo, bem como sua tramitação no Congresso.
Economista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Dias, de 41 anos, é funcionário de carreira do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde ingressou em 1984.

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