Marolinha já começa a afetar negócios
Quando os sinais da crise nos Estados Unidos já eram muito fortes e os analistas diziam que a crise iria atingir vários países, o presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva disse que se a crise chegasse ao nosso país seria em forma de uma ''marolinha'', sem grandes efeitos.
O presidente Lula mostrou que se for viver de análise de mercado e previsões econômicas quando deixar o Palácio do Planalto, em janeiro de 2011, terá sérios problemas para sobreviver. A sorte dele é que os ex-presidentes recebem uma pensão vitalícia do governo paga por todos os contribuintes. A ''marolinha'', prevista por Lula, está se transformando em uma onda que ainda ninguém consegue calcular o tamanho real.
Esta semana a Companhia Vale do Rio Doce, uma das maiores multinacionais brasileiras, demitiu 1,3 mil funcionários e deu férias coletivas para outros 5,5 mil. A construção civil já puxou o freio de mão. As maiores construtoras estão adiando o lançamento de novos empreendimentos, aguardando a acomodação do mercado. A crise também chegou às transportadoras que, por causa da redução do volume de negócios em várias áreas, estão enfrentando um recuo de 30% no volume de fretes.
Estes são apenas alguns dos setores que começam a enfrentar a ''marolinha'' do presidente Lula. Em contrapartida o governo, através de uma medida provisória criou esta semana cargos, aumentou salários e reestruturou a carreira de 93,3 mil servidores públicos da União entre ativos, inativos e aposentados. A mexida vai custar aos cofres públicos neste ano R$ 1,9 bilhão e chegará a R$ 7,2 bilhões no Orçamento de 2011.
''É esta incoerência do governo que nos deixa muito preocupados. Parece que o governo está sempre de bolso cheio enquanto a população está sempre de bolso vazio. Não era o momento de sangrar o caixa do Estado. Não sabemos ainda o tamanho da crise e nem como o país reagirá. Agora o que não podemos concordar é que, num momento em que todos estão preocupados, fazendo as contas para enfrentar os problemas que estão pipocando por todos os lados, o governo tome uma medida destas. Não há coerência nisto'', explica o presidente Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias,Informações, Pesquisas e Serviços Contábeis de Londrina (Sescap), José Joaquim Martins Ribeiro.
No estado do Rio Grande do Norte governo, empresários e entidades dos segmentos econômicos assinaram na quinta feira o Pacto Anti-Crise, em que os empresários se comprometem em não promover demissões pelos menos nos próximos quatro meses, como forma de garantir a estabilidade dos trabalhadores potiguares e contribuir para o crescimento da economia local.
''Como se vê há setores se mobilizando para enfrentar a crise só que a mobilização precisa ser maior'', afirma Ribeiro. Segundo ele, o governo federal, por exemplo, poderia aproveitar o momento para implementar uma Reforma Tributária realmente eficiente que reduza a carga tributária e que dê condições para que as empresas possam reinvestir no negócio e manter empregos e salários.
Fonte - Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias,Informações, Pesquisas e Serviços Contábeis de Londrina (Sescap)





