Marketing instantâneo - José Roberto Whitaker Penteado
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de setembro de 1997
José Roberto Whitaker Penteado 
Muito embora o marketing ainda permaneça, no Brasil, para muitos como um estrangeiro incompreendido - e vagamente subversivo, não é menos verdade que, a cada dia que passa, ele vai ganhando mais adeptos e entusiastas entre os profissionais e executivos de todas as áreas, empresários, políticos, administradores públicos, educadores, promotores culturais e estudantes, que nele vislumbram boas oportunidades de carreira.
Isto se deve, em grande parte, à extraordinária simplicidade do marketing que, na perspectiva de enfocar o mundo a partir dos desejos e das necessidades do consumidor, torna-se frequentemente uma simples questão de bom senso aplicado.
Olhe em volta e verá que não existe ninguém que lide com consumidores, clientes ou fregueses que não pratique, diariamente, algum tipo de marketing.
Neste sentido, o marketing não é muito diferente da prosa de Monsieur Jourdan, na famosa comédia de Moliére. Extasiava-se o burguês fídalgo com a revelação de que fizera prosa durante toda sua vida, sem dar conta. Apenas prosava mal e poderia prosar melhor com a ajuda do preceptor contratado, se a vaidade não lhe impermeabilizasse os miolos.
Cada vez que falo de marketing, em palestras, seminários e Congressos, sou pressionado por pessoas que perguntam: O marketing é privilégio das grandes empresas? Como pode o pequeno ou médio empresário praticar o marketing?
A resposta é: Olhe de novo para o que você faz diariamente e vai ver que não é preciso contratar executivos caros nem fazer alterações estruturais complexas para orientar o seu negócio para o mercado. O que você deve fazer é arrumar a casa e a cabeça.
Tirei daí oito regras que poderiam ser chamadas de receita básica para um marketing instantâneo:
1) Procure ver o seu negócio com os olhos dos seus clientes. Quais são os benefícios básicos que o seu produto ou serviço proporciona para a satisfação dos seus desejos e de suas necessidades?
2) Você conhece realmente o seu cliente? Qualquer dificuldade para pôr em prática o preceito nº 1 é sintoma de que você precisa sair mais, conversar com seus clientes e procurar conhecer suas cabeças. A maioria das empresas pequenas e médias lida com número restrito de consumidores, não havendo necessidade para pesquisas caras e demoradas para obter algumas informações básicas a seu respeito.
3) Organize as informações. Coloque-as no papel, transforme-as em números, quando possível, ou dados concretos.
4) Use as informações. Quais os problemas e oportunidades que elas apresentam para o seu negócio?
5) Faça planos e previsões. Se a situação é de incerteza, faça um plano otimista e um plano pessimista e trabalhe com a média. Mas não deixe de planejar, especialmente se você sabe ou desconfia que os concorrentes não estão planejados.
6) Valorize o seu pessoal com visão de marketing. Consulte-os, coloque-os em posições que possam tomar decisões ou contribuir para elas.
7) Treine o resto do pessoal nas técnicas de marketing. Mostre-lhes a simplicidade e a importância para a empresa de integrar todas as suas funções com o objetivo de atender, de forma lucrativa, as expectativas da clientela.
8) Examine criticamente a sua comunicação. Lembre-se de que as comunicações de uma empresa com o seu público não se limitam à propaganda. Qual a imagem que o seu papel de carta ou cartão de visitas estão transmitindo ao mercado? Há coerência entre a promessa de benefícios do seu produto, a imagem da sua empresa e o discurso dos seus vendedores, o seu próprio e o dos demais funcionários que têm contato com o público?
Se você já prática todas essas coisas ou a maioria delas, seu departamento de marketing está em pleno funcionamento, mesmo que não tenha esse nome.
- JOSÉ ROBERTO WHITAKER PENTEADO é diretor da Escola Superior de Propaganda e Marketing


