Uma comissão formada por empresários, representantes de diversos segmentos da sociedade e pelo prefeito de Maringá, Silvio Barros (PP), vai se reunir amanhã com diretores da Tam Linhas Aéreas. Eles pretendem convencer a companhia a manter as operações no Aeroporto Regional Silvio Name Júnior, onde oferece dois vôos diários com destino a Curitiba e Guarulhos (SP). Em nota oficial, a Tam anunciou que pretende cancelar as operações na cidade a partir do próximo dia 24, mantendo apenas o escritório de venda de passagens e os terminais para transporte de carga localizados no aeroporto.
Além dos vôos diários, uma aeronove que pousa em Maringá oriunda de Guarulhos no período noturno também terá a atividade cancelada. A Tam informou que vai promover alteração de sua malha na Região Sul do País e que também encerrará operações em Caxias do Sul (RS). ''Os passageiros de Caxias do Sul poderão embarcar em Porto Alegre, que possui 22 vôos diretos diários para os principais destinos do País. Já os clientes de Maringá embarcarão em Londrina, de onde partem diariamente quatro vôos diretos com destino a Curitiba e Congonhas (SP)'', afirmou a empresa em nota.
No entanto, a conduta da Tam e da Gol - as principais companhias aéreas do País - chamou a atenção dos deputados. Segundo divulgado ontem na imprensa nacional, parlamentares paranaenses, gaúchos e paulistas irão nesta semana à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para formalizar uma queixa de formação de cartel contra a TAM e a Gol. A Tam cancelou suas rotas para Maringá e Caxias do Sul, deixando a concorrente sozinha nos trechos. Já a Gol não voa mais para Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, ambas em São Paulo, que passarão a ser atendidas somente pela Tam.
Segundo informações da superintendência do aeroporto de Maringá entre janeiro de 2007 e janeiro de 2008 o número de passageiros da TAM aumentou 46%. Em janeiro deste ano 4.530 pessoas teriam voado com a companhia na cidade. ''Gol e Tam têm o mesmo número de vôos, com diferença de cinco minutos. A taxa de ocupação da Tam nos vôos é de mais de 50%, enquanto a taxa da Gol - que opera com aeronaves menores - é de mais de 60%'', informou Marcos Valencio, superintendente do aeroporto. Procurada pela reportagem, a Gol disse que, por enquanto, não há previsão para aumento das operações em Maringá.
''Os passageiros perderão, principalmente, opções de compra'', avaliou Valencio. Sobre a possibilidade de que a Tam teria anunciado o fim de suas operações, devido ao aumento nos custos operacionais da torre de controle, o superintende do aeroporto não acredita nessa possibilidade. Mesmo assim, ele confirmou que houve um aumento de custos operacionais no aeroporto com a implantação da torre, no final de janeiro. As despesas de taxas que eram de R$ 19 mil foram reajustadas para R$ 29 mil. Os custos subiram porque foram contratados 11 controladores de vôo, 6 operadores de rádio, 6 meteorologistas e o gerente de navegação aérea.
A decisão de procurar diretores da Tam partiu de uma reunião realizada ontem na Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim). ''O fim dos vôos prejudicaria Maringá e toda a região porque o aeroporto também é usado por passageiros que fazem conexões para diversas cidades do Brasil e do exterior'', observou Carlos Tavares Cardoso, presidente da Acim. Na sua avaliação, essa mobilização de toda sociedade é importante para mostrar quanto a continuidade dos vôos são importantes para o crescimento da cidade.

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