A abertura do comércio aos domingos sempre gerou brigas entre os sindicatos patronal e dos trabalhadores em Maringá. Desde que a lei municipal 3.041 foi aprovada, em 1991, as duas entidades não conseguem se entender para garantir o funcionamento das lojas aos domingos. A medida provisória do governo federal, que prevê a abertura do comércio aos domingos, é analisada com ressalvas pelo Sindicato do Comércio Varejista de Maringá (Sivamar), que defende os empresários.
A assessora jurídica da entidade, Priscila Kutne, explica que a própria medida provisória prevê que todas as leis trabalhistas devem ser respeitadas. ‘‘No entanto não está claro se é preciso acordo dentro da convenção coletiva, o que no caso de Maringá dificulta qualquer possibilidade de se liberar o comércio aos domingos’’, afirma. Ela diz que a vontade do empresariado é liberdade total para o funcionamento das lojas, mas em Maringá qualquer tentativa gera conflitos. ‘‘E a nova diretoria do Sivamar não quer confronto com o sindicato dos trabalhadores’’, deixa claro Priscila.
Antes de qualquer orientação aos empresários, o Sivamar pretende ouvir os juízes trabalhistas sobre as possibilidades da medida provisória. Só depois, segundo Priscila, a entidade vai tomar uma posição sobre a possibilidade de liberar o comércio aos domingo. Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Maringá (Sincomar), Cícero Moreira, a medida provisória do governo está traindo o comerciário. ‘‘A medida deveria reger apenas a participação do trabalhados nos lucros da empresa, mas diz lá que o comércio pode abrir aos domingos e não concordamos de forma alguma com isso’’, afirma.
Ele explica que o sindicato de Maringá está apoiando a ação da confederação nacional do setor, que já está com mandado de segurança contra a medida provisória. ‘‘O domingo é o único dia que o comerciário tem para o descanso e a convivência familiar, e não acredito que as as vendas vão ser maiores ou que vai existir mais emprego só porque as lojas abririam mais um dia da semana ’’, diz Moreira.(Marcos Zanatta)

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