Maringá proíbe 'self serviçe' em postos
Marta Medeiros
De Maringá
A Câmara de Vereadores de Maringá aprovou ontem, em última discussão, projeto de lei que proíbe nos próximos quatro anos a instalação do sistema de auto-atendimento nos postos de combustíveis da cidade. O autor do projeto, vereador José Maria dos Santos (sem partido), afirma que o objetivo principal é evitar o desemprego na categoria dos frentistas. Apesar das críticas por parte de donos de postos, não houve mobilização contra a lei que recebeu apenas dois votos contrários.
Para o proprietário do Posto Corcovado, primeiro a implantar o sistema self-service, Antonio Carlos de Mayo, a lei é demagógica e não colabora com o desenvolvimento da cidade. Ele disse à Folha que a Câmara de Vereadores deveria discutir e criar mecanismos para evitar a competição ilegal no setor. A mistura de combustíveis é prática normal entre os postos da cidade e ninguém toma providências, dencunciou Mayo.
A lei proposta pelo vereador não é retroativa aos quatro postos de combustíveis da cidade que praticam o auto-atendimento. Nos próximos 15 dias, a câmara deve encaminhar a lei para sanção ou veto do Executivo. Caso seja sancionada, ela entra em vigor ainda este ano. Os vereadores estão preocupados com o desemprego, mas ninguém fez nada quando os bancos partiram para a automação, lembrou Mayo.
O empresário não poupou críticas ao projeto e afirmou que no lugar dos frentistas contratou oito funcionários para o atendimento no posto. Estou instalado há um ano e dois meses e nenhum órgão de qualquer esfera passou aqui para fiscalizar nada. A qualidade do combustível é atestada somente pela bandeira que represento, explicou Mayo.
O gerente do posto Rocha Pombo, Luiz Carlos Aristo, contou à Folha que não sabia que o projeto havia sido aprovado. Logo agora que eu iria aderir ao sistema self-service, lamentou Aristo. Segundo ele, o Sindicato do Comércio de Combustíveis no Paraná (Sindicombustíveis) tem um escritório em Maringá, mas o diretor responsável está constantemente em São Paulo. Precisamos encontrar uma forma de mobilizar o setor e tentar discutir, além desta questão do projeto de lei, o comércio ilegal provocado pela sonegação de impostos e adulteração de combustíveis, afirmou Aristo.





