Uma comitiva liderada pela vice-governadora, Cida Borghetti, assinou ontem em Moscou, na Rússia, um acordo que pode resultar na implantação de uma fábrica de aviões, em Maringá, num prazo de cinco anos. O acordo foi fechado com o vice-presidente da fábrica russa Irkut, Kirill Budaev, e também conta com a assinatura do prefeito maringaense, Roberto Pupin, e do presidente da Agência Paraná de Desenvolvimento (APD), Adalberto Netto.
Em entrevista à FOLHA, por telefone, Netto disse que a empresa, que fabrica aviões militares e civis, está entre as 10 maiores do setor, no mundo, e pertence ao grupo United Aircraft Corporation (UAC). De acordo com ele, a intenção é produzir no Brasil os aviões MC-21, equivalentes ao Airbus A320, com capacidade para entre 150 e 211 passageiros. A empresa, segundo o representante do governo, é fornecedora da Airbus e também pretende produzir peças para aviões no Brasil.
Mas, a implantação da fábrica, de acordo com ele, é o último passo do cronograma do acordo assinado ontem e depende da viabilização de parceiros nacionais para a oferta de leasing de aeronaves e de operações de manutenção de aeronaves. "Não estou dizendo que está decidido que a fábrica será em Maringá", afirma Netto. Ele explica que a Irkut quer ser a fabricante de aviões dos Brics, grupo formado pelos países emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. E, para isso, pretende construir plantas no Brasil e na China.
Para viabilizar o empreendimento, inicialmente, o governo do Estado e a Prefeitura de Maringá terão de apoiar a implantação de escritórios da Irkut no Brasil. A intenção é que, antes da fábrica, seja instalada na Cidade Canção uma oficina para manutenção dos caças Sukhoi, produzido pelo grupo UAC, que foram vendidos para países como Peru e Venezuela. E ainda um centro de treinamento de pilotos.
Para apoiar a iniciativa, de acordo com Netto, o governo do Paraná criou o Paraná Aéreo, uma ramificação do Programa Paraná Competitivo, que oferece incentivos à iniciativa privada. Maringá já conta com uma área de 40 alqueires ao lado do aeroporto municipal destinada à implantação de um polo aeronáutico. Em julho de 2013, o governo do Estado assinou protocolo de intenções para implantar no local uma fábrica de helicópteros da Avio, da Suíça. Mas, o empreendimento ainda não se viabilizou.

Energia nuclear


O presidente da APD afirma que hoje a comitiva paranaense terá uma reunião na Rosatom – companhia estatal de energia nuclear da Rússia - para discutir parcerias em torno de alguns "programas e produtos ligados à área da saúde". Questionado sobre novidades para Londrina, Netto diz que o governo está trabalhando pelo desenvolvimento do polo de Tecnologia da Informação (TI) na cidade.

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