Passageiros de avião de Londrina estão se deslocando até Maringá, de van ou com seus carros particulares, para pegar vôos principalmente para Curitiba e São Paulo. O motivo do deslocamento de cerca de 100 km por rodovia é o preço cobrado pelas companhias aéreas que atuam em Londrina, 70% mais altos, em média, do que as tarifas praticadas na cidade vizinha.
Uma viagem de Londrina com destino a Curitiba, por exemplo, custaria cerca de R$ 310,00, enquanto as companhias de Maringá cobram, em média, R$ 160,00. As diferenças de preços fizeram com que o vice-presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Londrina, Alzir Bocchi, fosse até Maringá de carro, onde pegou um avião para o Rio de Janeiro. ''Voar em Londrina é uma opção totalmente antieconômica'', diz.
O superintendente do aeroporto de Maringá, José Rubens Abrão, acredita que a concorrência faz com que os preços de sua cidade sejam menores que os de Londrina. ''Percebemos a redução dos preços principalmente depois da instalação da Gol, uma empresa que opera com lucros, de forma enxuta'', afirma Abrão. O superintendente diz que a política de funcionamento da companhia, que permite a prática de preços mais baixos, tem forçado todas as outras empresas a baixarem suas tarifas.
A Gol operou por um curto período em Londrina, entre os dias 19 e 27 de março. As pessoas que compraram passagens nesse período, com partidas previstas de Londrina, estão sendo levadas até Maringá por uma van fretada pela própria empresa. A administração da Gol não quis se pronunciar sobre a decisão do DAC (Departamento de Aviação Civil) do Rio de Janeiro (RJ), que recomendou a suspensão dos serviços da empresa na cidade, mas sabe-se que várias pessoas ligam diariamente para o guichê em Londrina pedindo a volta dos vôos.
Uma das passageiras que embarcava ontem na van para Maringá, que se identificou apenas como Ada, reinvidicou a presença da Gol em Londrina com esperança de que os preços venham a cair. O motorista da van, Luiz Mariano Santos, disse que faz viagens todas as horas para Maringá, levando de cinco a seis pessoas. ''Elas vão na maioria das vezes para São Paulo e Curitiba''.
Em matéria publicada anteontem pela Folha, fontes da Varig afirmaram que os preços das passagens seriam determinados em conjunto com o DAC, de acordo com planilhas de custos. No entanto, a assessoria de comunicação do departamento afirmou que o DAC não controla os preços das passagens desde 2001. As empresas teriam, portanto, liberdade para estabelecer os preços que quisessem, sendo somente fiscalizadas pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), para que sejam evitados abusos de ordem financeira.
De acordo com a assessoria do DAC, a recomendação para que a Gol suspendesse suas operações na cidade foi feita porque a empresa estaria operando sem os resultados do pedido para solicitação do trecho Londrina-São Paulo. Além disso, um grupo de trabalho coordenado pelo DAC deicidiu pela redução do tráfego aéreo nos aeroportos centrais (entre eles, o de Congonhas), o que impediria as operações da Gol em Londrina.

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