O uso indiscriminado das sacolas plásticas pelos supermercados e outros estabelecimentos comerciais preocupa alguns segmentos da sociedade em Maringá, no Noroeste do Estado. O assunto será debatido hoje, a partir das 19h30, na Câmara de Vereadores, com a presença de representantes de entidades ambientalistas, dos comerciantes, fabricantes de sacolas e políticos.
A comunidade vai tomar conhecimento do teor de um projeto de lei de autoria do vereador Humberto José Henrique (PT) que quer abolir, ou reduzir ao máximo, o uso das sacolas plásticas no comércio local. O projeto já foi aprovado pelas comissões permanentes da Câmara de Maringá e deve ser votado nas próximas semanas. Antes, o vereador quer ouvir a opinião da população.
Um dos organizadores do evento é a Fundação Verde, uma ONG que tem sede em Maringá e já conseguiu implantar a lei que limita o uso das sacolas plásticas em dezenas de cidades do Brasil. Uma delas é Xanxerê, no interior de Santa Catarina, que adotou a ideia há cerca de dois anos. Alguns representantes vão falar sobre a experiência no estado vizinho.
O vereador diz que haverá um prazo até janeiro do próximo ano que para que a população e os estabelecimentos comerciais se adaptem à nova medida. A intenção é que as sacolas plásticas sejam substituídas por alternativas ambientalmente corretas, como a utilização de sacolas retornáveis e caixas de papelão.
O projeto vai proibir apenas que as sacolas sejam distribuídas de forma gratuita à população, mas não impedirá que os estabelecimentos comercializem o produto ao menos pelo preço de custo.
A ambientalista Ana Domingues, criadora da Funverde, sugere que o preço seja fixado em R$ 0,30 a unidade. Para ela, essa seria a única forma de conscientizar a população sobre os danos que as sacolas plásticas causam ao meio ambiente. ''A consciência do ser humano depende do bolso, se não mexer no bolso, a pessoa não muda de atitude'', afirma.
De acordo com a entidade, somente em Maringá são utilizadas cerca de 30 milhões de sacolas plásticas por mês, o que representa 10% de todo lixo produzido pela população. Ana Domingues justifica que as sacolas provocam uma série de danos ambientais como a impermeabilização de solo de aterros e lixões, a obstrução de pontos de drenagem da chuva, a poluição das cidades, florestas e oceanos e causa a morte de animais.
O projeto de lei, se aprovado, impedirá inclusive a distribuição das sacolas oxibiodegradáveis, que demoram menos de dois anos para se decomporem no meio ambiente, enquanto as outras demoram pelo menos 100 anos.

mockup