O Frigorífico Margen Ltda, um dos maiores do País, informou ontem que poderá demitir nos próximos dias todos os 2,3 mil funcionários de suas quatro unidades no Paraná, além de mais cerca de 8,7 mil de outros sete estados. As demissões já começaram na unidade de Lupionópolis (105 km ao norte de Londrina). A empresa alega não suportar o custo de manutenção dos trabalhadores depois que passou a ter problemas de crédito desde a prisão de oito diretores - entre eles os proprietários do frigorífico - no início do mês, acusados de sonegação fiscal, formação de quadrilha, tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro.
A gerência comercial da matriz, em Rio Verde (GO), argumentou que a prisão dos diretores em 1º de dezembro deixou as 21 unidades do grupo Margen nas mãos de gerentes, ''que não têm condições de decidir o futuro da empresa''. Isso gerou dificuldades de obtenção de crédito com instituições financeiras e fornecedores de matéria-prima e insumos. O abate de animais foi paralisado e estão sendo mantidas apenas a comercialização interna e exportação dos estoques. ''Não vamos poder manter (as atividades) por mais 30 dias com todas as unidades paradas. O custo de 11 mil funcionários diretos gira em torno de R$ 400 mil por dia. Não temos outra alternativa senão paralisar temporariamente ou até definitivamente as atividades'', observou a gerência.
Os diretores da empresa foram presos pela Polícia Federal na chamada Operação Perseu e permanecem à disposição da Justiça. No dia 17, a desembargadora Suzana Camargo, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3 Região, em São Paulo, negou liminar (decisão provisória) que os colocaria em liberdade. ''Não há motivos para eles estarem presos. Se a intenção era quebrar a empresa, vão conseguir. A melhor solução seria o equacionamento da situação fiscal e o parcelamento da dívida'', reclamou a gerência.
O Frigorífico Margen possui 21 unidades espalhadas pelo país. Até o fechamento, o grupo abatia 6 mil animais por dia, com faturamento mensal em torno de R$ 96,6 milhões. No Paraná, o grupo possui três unidades próprias Paranavaí, Maringá e Lupionópolis e uma parceria em Paiçandu (10 km a leste de Maringá) e abatia aproximadamente 2,5 mil cabeças por dia.
Único exportador de carne a atuar no Estado, o grupo emprega 2,3 mil trabalhadores e faturava aproximadamente R$ 46 milhões por mês. Segundo a gerência, os trabalhadores de Lupionópolis já estão cumprindo aviso prévio. A gerência comentou que o grupo tinha intenções de investir no Estado em 2005 visando incrementar suas exportações pelo Porto de Paranaguá. Até a paralisação das atividades, o frigorífico Margen era o segundo maior em abate no País e o quinto em exportação. (Com Folhapress)

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